O humorista Everson de Brito Silva, mais conhecido como Tirullipa, foi condenado pela Justiça a indenizar duas mulheres por um episódio ocorrido durante a edição de 2022 da Farofa da Gkay, em Fortaleza. A decisão foi assinada pela juíza Leila Regina Corado Lobato, da 36ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza.
O que aconteceu na Farofa da Gkay
Tudo começou em uma dinâmica recreativa inspirada no antigo quadro "Banheira do Gugu", em que participantes disputavam provas dentro d'água. Segundo o processo, o comediante desamarrou a roupa de uma das mulheres e tocou os seios de outra sem qualquer tipo de consentimento. A cena foi registrada em vídeo, compartilhada nas redes sociais e rapidamente viralizou.
O detalhe que mais pesou no julgamento é que existe um registro em que o próprio Tirullipa admite ter passado do ponto. Nas imagens anexadas ao processo, ele reconhece abertamente que "se excedeu" na brincadeira. Para a magistrada, esse reconhecimento dentro do próprio vídeo é um elemento importante contra a tese de que tudo não passava de uma "brincadeira entre amigos".
Quanto ele terá que pagar
A sentença definiu o pagamento de R$ 30 mil a título de danos morais, valor que será dividido entre as duas autoras do processo, cabendo a cada uma R$ 15 mil. Além disso, o humorista foi condenado a arcar com as custas processuais — ou seja, as despesas do andamento da ação.
Apesar do valor parecer alto em relação a muitas indenizações civis, a juíza justificou a quantia considerando dois pontos centrais: a gravidade da conduta e a amplificação da humilhação causada pela viralização dos vídeos. Na avaliação da magistrada, o famoso "extrapolou os limites inerentes à atividade recreativa", e a exposição pública transformou o episódio em algo que as vítimas não puderam controlar.
O que isso muda na prática?
Para quem acompanha casos de celebridades e Justiça, a decisão abre um caminho importante: o de que dinâmica de festa, mesmo em ambiente de "zueira", não funciona como escudo para abusos. A sentença mostra que a magistrada levou em conta o consentimento — ou a ausência dele — como ponto-chave, independentemente do formato do conteúdo (humor, reality, brincadeira).
Para as vítimas, o valor representa um reconhecimento formal de que o comportamento configurou dano moral. Para o humorista, além do impacto financeiro, há o peso da condenação em si, que pode influenciar contratos, parcerias publicitárias e decisões profissionais futuras. A defesa pode recorrer — e a sentença admite recurso —, mas enquanto não houver decisão em sentido contrário, a obrigação de pagamento segue válida.
Detalhe importante que muita gente confunde
Vale destacar que esta sentença trata exclusivamente do caso das duas mulheres da Paraíba. O mesmo evento também envolveu um episódio com a cantora Nicole Louise, com outras celebridades como Tati Quebra Barraco, Lucas Guedez e Gabily presentes na disputa na água. Esse outro caso corre em ação separada e não está incluído nesta decisão.
Ou seja: são processos distintos, com autoras e contextos diferentes, embora compartilhem o mesmo palco e o mesmo tipo de dinâmica. Quem acompanha a repercussão nas redes precisa estar atento para não misturar as duas situações.
E a defesa de Tirullipa?
Até o fechamento da reportagem original, os representantes legais do comediante não foram localizados nem se manifestaram publicamente sobre a sentença. Por outro lado, os advogados das vítimas — Alex Laurentino, Roberto Nascimento e Roberto Macêdo — celebraram o resultado com tranquilidade, destacando a robustez das provas reunidas no tribunal. O detalhe do vídeo em que o próprio artista admite o exagero foi citado como uma das peças centrais da estratégia do Ministério Público e da acusação.
Na prática, esse tipo de prova audiovisual costuma ser decisivo em casos de abuso em ambientes festivos, justamente porque derruba o argumento de que tudo foi "uma brincadeira sem maiores consequências".
Por que essa decisão importa além do caso
A condenação dialoga com uma discussão mais ampla sobre limites em conteúdos de humor e entretenimento digital. O que começou como material para redes sociais virou processo judicial exatamente porque houve ultrapassagem clara do consentimento das participantes — algo que a Justiça tem tratado cada vez com mais rigor, mesmo em cenários recreativos.
Para o público em geral, a leitura prática é direta: ninguém precisa tolerar toques ou exposição pública apenas por estar em um ambiente descontraído ou participando de uma dinâmica de grupo. E quando esse tipo de situação acontece, existem caminhos legais concretos para buscar reparação, mesmo contra artistas com grande exposição.
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