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Dólar sobe a R$ 5,16 e real vira pior moeda após pesquisa apontar Lula

Dólar sobe a R$ 5,16 e real vira pior moeda após pesquisa apontar Lula

Moeda norte-americana em alta encarece produtos importados e viagens ao exterior; mercado financeiro reage com forte aversão ao risco.

O dólar comercial opera em alta frente ao real nesta terça-feira, em um movimento que destoa do comportamento da moeda americana nos principais mercados do mundo. Por volta das 12h45, a divisa dos Estados Unidos era negociada a R$ 5,1646, com valorização de 1,06% no dia, depois de oscilar entre a mínima de R$ 5,0983 e a máxima de R$ 5,1656. Enquanto isso, o euro comercial subia 1,03%, alcançando R$ 5,9586. No exterior, o índice DXY — que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas de países desenvolvidos — mal se mexia, registrando variação negativa de 0,01%, aos 99,804 pontos.

Por que o real está indo na contramão?

O detalhe que chama atenção dos operadores é justamente essa dissociação. Em um dia de calmaria nos mercados globais, o real se tornou a pior moeda entre 33 divisas acompanhadas, enquanto divisas latino-americanas como os pesos colombiano, argentino, chileno e mexicano figuravam entre as cinco mais fortes do dia. Ou seja: o problema não é o cenário internacional, é o cenário interno.

A virada de humor do mercado aconteceu por volta das 11h10 da manhã, quando o dólar deixou a estabilidade relativa e começou a acelerar a alta. Segundo operadores ouvidos no mercado, o gatilho foi a divulgação da pesquisa CNT/MDA, que apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o candidato com maior probabilidade de vitória nas eleições deste ano — liderando as intenções de voto tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Mercado financeiro costuma reagir a esse tipo de dado com antecipação. Quando uma pesquisa confirma uma tendência, investidores ajustam posições para se proteger de um cenário que consideram desfavorável, o que pressiona a moeda local.

O que isso muda na prática?

Na ponta do lápis, a alta do dólar não é só um número na tela de quem opera na bolsa. Ela atravessa o orçamento de qualquer brasileiro, mesmo que a pessoa nunca tenha comprado dólar na vida. O repasse mais rápido costuma aparecer nos combustíveis, já que a Petrobras referencia parte dos preços ao mercado internacional. Idem para produtos importados — de eletrônicos a roupas — que ficam mais caros na prateleira quando a moeda americana sobe.

Quem tem viagem marcada para o exterior sente o efeito direto: com a cotação acima de R$ 5,16, cada dólar gasto no cartão ou em espécie custa mais reais do que custava semanas atrás. Quem parcelou compras em moeda estrangeira ou tem parcelas de pacotes turísticos pendientes também percebe o peso no fechamento da fatura.

Há ainda um efeito indireto, mas relevante: a pressão cambial tende a estimular o Banco Central a ajustar a política de juros ou a intervir no mercado de câmbio via swaps e leilões. Qualquer mudança na taxa Selic acaba chegando ao consumidor na ponta do crédito, do cartão rotativo ao financiamento imobiliário.

Volatilidade deve aumentar até a definição eleitoral

Um dos operadores ouvidos no mercado resumiu o momento com uma frase que serve de alerta: "O real estava bem contido, então tem espaço para andar. Acho que agora vai ser um período de cautela, com pessoal mais defensivo em suas posições." Em outras palavras, o câmbio brasileiro pode oscilar com mais intensidade a cada nova pesquisa, a cada pesquisa de rua divulgada e a cada evento que reforce ou mude o cenário eleitoral.

Para quem precisa comprar dólar — seja para uma viagem, seja para quitar compromissos em moeda estrangeira — vale a regra de sempre: evitar comprar tudo de uma vez quando a cotação dispara e, sempre que possível, diluir as compras aos poucos. Para quem investe, o momento exige cuidado redobrado com posições muito expostas a empresas dolarizadas ou endividadas em moeda americana, que costumam oscuiar mais em períodos de estresse cambial.

Por fim, vale lembrar que o câmbio é um termômetro, não uma sentença. A cotação de um único dia não define a tendência do semestre, e variáveis como a política monetária dos Estados Unidos, a inflação brasileira e o cenário fiscal continuam pesando tanto quanto o humor com as eleições. O leitor que acompanha o noticiário com frequência sai na frente — e o Portal Brasil News segue de olho para trazer os próximos capítulos dessa movimentação.

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Jornalista

Mariana Silva

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