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DĂ­vida pĂşblica cresce por causa dos juros, diz Durigan

DĂ­vida pĂşblica cresce por causa dos juros, diz Durigan

Pagamento de encargos já consome parte significativa do Orçamento e pressiona capacidade de investimento

>O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (6) que o governo não responsabiliza o resultado fiscal pelo aumento da dívida pública desde 2024. Na avaliação dele, o vilão é outro: a taxa de juros praticada no país. A declaração foi feita em entrevista à GloboNews e traz alívio para quem acompanha o debate sobre contas públicas — mas também deixa claro o tamanho do desafio que vem pela frente.

Por que os juros sĂŁo o centro da discussĂŁo?

Para entender o que Durigan quis dizer, é preciso lembrar como a dívida pública funciona. Quando o governo precisa de dinheiro para fechar as contas, ele emite títulos da dívida. Esses títulos pagam uma taxa de juros para quem empresta. O problema é que, quando essa taxa está muito alta, o custo de manter a dívida antiga e emitir dívida nova come uma fatia cada vez maior do orçamento.

Na prática, isso significa que boa parte do dinheiro arrecadado com impostos vai parar no pagamento de juros, em vez de ir para saúde, educação, infraestrutura ou programas sociais. É como se uma família tivesse um financiamento com juros altíssimos: mesmo quitando as parcelas em dia, sobra pouco para o resto do mês.

Durigan reforçou que, mesmo com esse cenário, três das maiores agências de classificação de risco do mundo melhoraram a nota do Brasil durante a atual gestão. Para ele, isso mostra que o compromisso com o equilíbrio das contas públicas segue firme.

Salário mínimo: o que está em jogo?

Um dos pontos que mais chamou atenção na entrevista foi a questão do salário mínimo. Nos últimos anos, a política de valorização do mínimo garantiu reajustes acima da inflação, o que aumenta o poder de compra dos trabalhadores da base da pirâmide — e também os gastos do governo com aposentadorias, BPC e benefícios previdenciários.

Questionado se o governo discute mudar essa regra, Durigan foi direto: não há discussão sobre desvincular o ganho real do mínimo neste momento. Segundo o ministro, possíveis cenários serão analisados com o presidente depois do período eleitoral, já que os desafios fiscais continuam existindo independentemente do calendário político.

Para quem depende do mínimo ou recebe benefícios atrelados a ele, essa sinalização é importante. Mudar a política de reajuste teria impacto direto no orçamento de milhões de famílias que usam esse dinheiro para cobrir despesas básicas como aluguel, mercado e contas de luz.

Controle de capitais: o governo descarta

Outro tema sensível que voltou à mesa recentemente foi o controle de capitais — medida que restringe a entrada e saída de dinheiro do país. O assunto ganhou força depois de declarações do coordenador do programa de governo de Lula que provocaram reação negativa no mercado financeiro.

Durigan foi enfático ao afastar essa hipótese. Segundo ele, a pedido do próprio presidente, não há nenhuma possibilidade de implementar controle de capitais. "Nós passamos esses três anos e meio não discutindo isso. Isso fica afastado", afirmou o ministro.

A declaração tem peso porque o mercado financeiro reage de forma rápida a esse tipo de rumor. Quando investidores temem restrições para tirar dinheiro do país, costumam enviar recursos para fora, o que pressiona o câmbio (o dólar sobe) e encarece produtos importados, incluindo alimentos e eletrônicos.

O que isso muda na prática?

Para o cidadão comum, o conjunto de declarações tem efeitos concretos. Quando o ministro diz que a dívida cresce por causa dos juros e não por falta de ajuste fiscal, ele tenta mostrar que o governo está no caminho certo. Mas também reconhece que a conta não fecha fácil — o que pode pressionar o governo a buscar economia ou aumento de receita no futuro.

A garantia de que o salário mínimo seguirá com ganho real é uma boa notícia para aposentados, beneficiários do INSS e trabalhadores de menor renda. Por outro lado, a dívida pública elevada significa que o país gasta bilhões por ano só para pagar juros, e esse dinheiro deixa de circular em políticas públicas.

Já o recado sobre controle de capitais funciona como um sinal de tranquilidade para quem investe, empreende ou pretende comprar moeda estrangeira. Mesmo assim, vale acompanhar de perto os próximos movimentos, porque o cenário fiscal brasileiro continua exigindo atenção.

O resumo prático é: por enquanto, não há mudanças previstas no salário mínimo, não há risco de travamento de capital no país, mas a dívida segue crescendo — e o juros é o principal motivo, segundo o próprio governo.

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Jornalista

André Santos

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