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Cuba à frente de Irã e China: a nova ameaça nº1 dos EUA

Cuba à frente de Irã e China: a nova ameaça nº1 dos EUA

Havana ultrapassa grandes potências em ranking de segurança; entenda os fatores estratégicos e o que isso representa para o Ocidente.

Em julho de 2025, o Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou um relatório de 100 páginas que coloca Cuba como a principal ameaça à segurança nacional americana — à frente de Irã, Estado Islâmico e China. A mudança de foco, que parece brusca, tem nome, contexto político e uma leitura estratégica que vai além do que está na superfície.

De quem era a "lista de inimigos" e por que Cuba entrou no topo

Durante décadas, o discurso de segurança dos EUA girou em torno de potências como Irã e China, além de grupos extremistas como o Estado Islâmico. O relatório divulgado em 20/7 inverte essa lógica e coloca uma ilha de 145 km da Flórida no centro das preocupações.

No vídeo de apresentação do documento, o secretário de Estado Marco Rubio — ele próprio filho de pais cubanos — afirmou que "praticamente todos os grupos terroristas violentos e radicais de esquerda do hemisfério ocidental dependeram, em algum momento, do apoio de Cuba". Para Rubio, Cuba é "um Estado falido que também oferece abrigo a alguns de nossos adversários".

A escolha não é aleatória. O documento conecta explicitamente a Revolução Cubana de 1959 aos movimentos de esquerda que atuam hoje dentro dos próprios Estados Unidos, sugerindo que há uma linha ideológica e operacional direta entre Havana e ativistas, organizações e coletivos americanos.

O que o relatório diz sobre Cuba, espionagem e influência

O texto de 100 páginas detalha o que chama de "campanha de longa data" de Cuba contra os EUA. Segundo o documento, essa campanha teria se sustentado em uma rede de espionagem "sofisticada" capaz de alcançar os mais altos escalões do governo americano.

O relatório aponta três pilares da ameaça cubana:

  • Serviços de inteligência ativos — estruturas de espionagem ainda operacionais, mesmo após o fim da Guerra Fria.
  • Ideologia comunista como vetor de exportação — financiamento, treinamento e apoio logístico a movimentos de esquerda na América Latina e, agora, nos próprios EUA.
  • Aliança com adversários externos — a ilha seria usada como ponto de apoio por outros países contrários aos interesses americanos.

A tese central é que Cuba não age apenas como inimigo externo, mas como um agente de desestabilização interna — financiando ou inspirando atores que operam dentro do território americano.

O que isso muda na prática?

Para o leitor brasileiro, o movimento tem leitura dupla. Primeiro, mostra como a política externa americana pode mudar radicalmente de prioridade em questão de meses, dependendo de quem está no poder. O Irã e a China continuam sendo adversários, mas o foco diplomático e midiático agora mira a América Latina.

Segundo, o relatório funciona como instrumento de política interna. Ao rotular grupos de esquerda americanos como ligados a Havana, o governo Trump abre espaço para maior vigilância, restrições a financiamentos e até criminalização de movimentos sociais nos EUA. Para Rubio, a acusação não é apenas geopolítica — é também um recado à oposição doméstica.

Na prática, os efeitos mais imediatos tendem a aparecer em três frentes:

  • Relações diplomáticas — pressão por mais sanções e isolamento de Cuba no cenário internacional.
  • Políticas migratórias — endurecimento do tratamento a cubanos que buscam entrada nos EUA, incluindo programas de refúgio político.
  • Segurança interna — abertura para investigações mais amplas contra organizações de esquerda dentro do território americano.

Por que esse relatório foi publicado agora?

A resposta curta é: timing político. O governo Trump usa a segurança nacional como argumento para reposicionar sua política externa e, ao mesmo tempo, justificar ações contra adversários internos. Publicar um relatório desse porte às vésperas de ciclos eleitorais e debates legislativos não é coincidência.

Há também um componente simbólico. Marco Rubio é uma das vozes mais duras contra Cuba desde que entrou na política americana. Trazer o tema ao topo da agenda diplomática é, em parte, a realização de uma pauta pessoal que carrega desde a juventude.

Para o Brasil e a América Latina, o movimento importa porque redefine o tabuleiro regional. Se os EUA tratam Cuba como ameaça número um, qualquer negociação, sanção ou pressão na região passa a ser lida sob esse novo enquadramento — o que pode afetar relações comerciais, consulares e diplomáticas de países que mantêm diálogo com Havana.

Vale lembrar

O relatório é um documento político, não uma conclusão acadêmica neutra. Isso não significa que seja falso por inteiro, mas que precisa ser lido como peça de governo — com argumentos, evidências e também omissões que servem a um propósito. O governo cubano já classificou o documento como propaganda.

Para quem quer entender o assunto sem depender de uma única fonte, o caminho é cruzar o conteúdo do relatório com análises independentes, ouvir o lado cubano e observar os desdobramentos práticos nos próximos meses — especialmente em relação a sanções, imigração e segurança interna nos EUA.

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Jornalista

Sarah Martins

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