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Britcham leva a candidatos plano de R$ 96 bi para Reino Unido

Britcham leva a candidatos plano de R$ 96 bi para Reino Unido

Propostas em infraestrutura e energia visam atrair capital britânico e gerar milhares de empregos no país.

A Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham) entregou um documento estratégico aos cinco candidatos à Presidência da República mais bem posicionados nas pesquisas — Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). O pacote reúne propostas para turbinar as relações comerciais e de investimento entre Brasil e Reino Unido a partir de 2027.

O tamanho da relação Brasil-Reino Unido

Os números ajudam a entender por que a entidade fez esse movimento. No último ano, o comércio bilateral movimentou cerca de 13 bilhões de libras esterlinas, o que equivale a aproximadamente 96 bilhões de reais. Já o estoque de investimento direto britânico em empresas brasileiras chegou a 27,6 bilhões de libras (cerca de 204 bilhões de reais) no final de 2024.

Esse capital está espalhado por setores estratégicos: infraestrutura, energia, serviços financeiros, saúde, inovação tecnológica e mineração. Para a Britcham, mais do que o volume financeiro, o que conta é a transferência de tecnologia e conhecimento que acompanha esses investimentos — um fator que, segundo a entidade, ajuda a elevar a eficiência e a competitividade da indústria brasileira.

Os três eixos da proposta

A Britcham organizou as sugestões em três frentes prioritárias. A primeira é a integração econômica, que passa pela ratificação do acordo para evitar a dupla tributação entre os dois países e pelo avanço de um tratado de livre comércio entre o Mercosul e o Reino Unido. Traduzindo: menos imposto pago duas vezes sobre o mesmo lucro e menos barreira alfandegária para produtos circularem entre os blocos.

O segundo eixo trata de competitividade tributária. A entidade pede a revisão de taxas sobre dividendos e sobre exportações de petróleo. Na prática, isso pode influenciar desde o rendimento de quem aplica em ações de empresas que recebem capital britânico até a dinâmica de preços de combustíveis no mercado interno.

O terceiro foco é segurança jurídica — algo que investidores estrangeiros costumam apontar como decisivo na hora de escolher onde aportar recursos. A ideia é criar um ambiente mais previsível, com regras claras e estáveis, para que o capital britânico (e de outros países) continue fluindo para o Brasil.

O que isso muda na prática?

Para o leitor que não acompanha o dia a dia de política econômica, pode parecer distante. Mas as propostas têm potencial de afetar a vida cotidiana de formas concretas: mais investimento estrangeiro tende a gerar mais postos de trabalho em setores como energia e infraestrutura; um acordo comercial com o Mercosul pode baratear produtos importados do Reino Unido e abrir novos destinos para exportações brasileiras; e ajustes em tributos sobre dividendos podem alterar a rentabilidade de fundos e ações ligados a multinacionais.

Além disso, a Britcham aproveita o documento para defender que o próximo governo adote políticas de crescimento sustentável, modernização regulatória e fortalecimento institucional. Na visão da entidade, esse conjunto de medidas é o que garantiria a integração do Brasil nas cadeias globais de valor e inovação — ou seja, fazer com que o país deixe de ser apenas fornecedor de matérias-primas e passe a participar de etapas mais lucrativas da produção internacional.

O pacote foi entregue aos candidatos em um momento em que o cenário eleitoral já define seus principais nomes. A estratégia da entidade é clara: mostrar que as pautas bilaterais com o Reino Unido podem render benefícios reais para a economia brasileira nos próximos quatro anos, independentemente de quem assumir o Palácio do Planalto.

Vale destacar que o documento é uma proposta, não uma imposição. Caberá a cada equipe de campanha avaliar as sugestões e, eventualmente, incorporá-las aos planos de governo. Ainda assim, o movimento da Britcham sinaliza que o setor privado britânico está atento ao próximo ciclo eleitoral brasileiro e disposto a influenciar o debate com dados e argumentos concretos.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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