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Aprovação de Trump cai a 33% — menor índice por guerra do Irã

Aprovação de Trump cai a 33% — menor índice por guerra do Irã

Republicanos temem revés nas eleições de meio de mandato com queda brusca de popularidade ligada ao conflito no Oriente Médio.

A reprovação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a 64% — enquanto a aprovação despencou para 33%, o menor índice registrado em toda a sua trajetória política, de acordo com a pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira (18). O levantamento aponta a guerra com o Irã como a principal razão por trás da queda, que veio acompanhada de uma escalada no preço da gasolina e de uma percepção generalizada de que o conflito não vai terminar tão cedo.

O que a pesquisa mostra sobre o humor do eleitor americano

Em comparação com o início do mês, quando Trump aparecia com 35% de aprovação, a nova rodada de entrevistas registra uma queda de dois pontos percentuais. Com isso, o republicano iguala o piso alcançado em dezembro de 2017, ainda em seu primeiro mandato. Não é apenas o núcleo duro do eleitorado democrata que se afastou: republicanos e independentes também demostraram insatisfação com temas centrais, sobretudo a economia.

Os números revelam um detalhe que chama a atenção dos analistas: a frustração com o governo é ampla o suficiente para atravessar linhas partidárias. A inflação, promessa central de campanha de Trump, se manteve como uma das maiores dores no cotidiano das famílias.

Por que a guerra com o Irã pesa no bolso do americano

Trump subiu ao poder defendendo o controle da inflação e o fim de guerras longas. Mas o conflito no Oriente Médio se estendeu além do previsto e gerou um efeito direto no orçamento doméstico: o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto do comércio global de petróleo, provocou uma disparada nos preços da gasolina, com alta superior a 30% em território americano.

Esse reajuste não parou nos postos. Combustível mais caro significa frete mais caro, e frete mais caro chega à mesa do consumidor na forma de alimentos mais caros. Em junho, a Moody’s Analytics estimou que cada família americana já havia desembolsado cerca de US$ 1.000 (aproximadamente R$ 5.400,dependingo da cotação) por causa da guerra desde o início do conflito, em fevereiro. Para uma parcela significativa da população, esse valor representa o equivalente a semanas de compras no supermercado.

A pesquisa aponta que 80% dos americanos — incluindo 87% dos democratas e 71% dos republicanos — acreditam que o envolvimento dos Estados Unidos no Irã “continuará por um longo período”. Apenas 16% apostam em um desfecho em algumas semanas. É um cenário que contraria a expectativa de retorno rápido à normalidade que costuma embalar guerras longas.

O discurso de Trump e a conta que não fecha

Em um comício na última sexta-feira em Nova York, Trump tentou justificar o impacto no bolso dizendo que pagar “um pouquinho a mais pela gasolina” vale o preço de impedir que “um país muito maligno” desenvolva uma arma nuclear. A referência é ao programa de enriquecimento de urânio iraniano, que aparece como justificativa principal de Washington e de Tel Aviv para iniciar o conflito.

Porém, a pesquisa mostra que a argumentação não convenceu a maior parte da população. Apenas um em cada cinco americanos — e somente 50% dos republicanos — acredita que a guerra valeu a pena. Mesmo entre a base do presidente, a visão de que o conflito trouxe benefícios é minoritária. Para a diplomacia americana, isso significa um desafio de comunicação cada vez maior: justificar o esforço militar diante de uma opinião pública que começa a enxergar a conta final.

O que isso muda na prática para o leitor?

Para quem acompanha notícias internacionais, esse tipo de pesquisa é um termômetro importante. A queda na aprovação de um presidente americano costuma influenciar decisões em duas frentes: política externa (apoio ou não a novos conflitos, alianças comerciais) e política econômica (subsídios, estímulos, política de juros). No caso específico, a pressão interna pode se traduzir em pedidos do Congresso para conter o aumento da gasolina, em mudanças na estratégia militar ou em revisão das sanções a Teerã.

Para o consumidor brasileiro, o efeito mais visível é indireto: o petróleo é cotado em dólar, e qualquer turbulência geopolítica que afete o fluxo da commodity pressiona os preços no mercado internacional. Isso se reflete, em graus variados, no combustível, no frete e em produtos importados que chegam ao país. Ou seja, uma pesquisa sobre aprovação presidencial americana tem potencial de mexer com o orçamento de famílias a milhares de quilômetros de distância.

O recado da sociedade americana para a Casa Branca, no fim das contas, é claro: a paciência com guerras que se arrastam e inflação que não cede tem prazo de validade. E a próxima rodada de pesquisas, ou as próximas eleições de meio de mandato, tendem a ser o espaço onde essa cobrança vai virar voto — ou pressão política concreta.

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Jornalista

Lucas Almeida

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