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Zendaya fatura R$ 38 mi em filme de Nolan e não renega Disney

Zendaya fatura R$ 38 mi em filme de Nolan e não renega Disney

Protagonista da nova 'Odisseia' mostra como conciliar blockbusters com cinema de autor

Zendaya não é mais "a menina da Disney". A atriz americana, hoje com 29 anos, protagoniza dois longas em 2026 — Homem-Aranha: Um Novo Dia e A Odisseia —, emplacou uma série de sucesso e acumulou um currículo que pouca gente da sua geração consegue igualar. Mas o ponto que mais chama atenção não é a escalada de Hollywood, e sim o jeito como ela lida com o começo da carreira: sem renegar nada.

De "Shake It Up" ao Oscar: como a Disney moldou (mas não limitou) Zendaya

A primeira aparição de impacto de Zendaya na TV foi em No Ritmo (Shake It Up), em 2010, ao lado de Bella Thorne. O seriado era típico do Disney Channel: dança, humor leve e público adolescente. Ela tinha 14 anos. Oito anos depois de estrear na emissora, saiu em 2018 — e nesse intervalo viveu algo raro entre os ex-rostos da casa do Mickey.

Enquanto nomes como Zac Efron já declararam publicamente que preferem esquecer a fase Disney, Zendaya construiu uma ponte entre os dois mundos. Em 2017, mesmo ainda ligada à emissora, ela apareceu em duas produções que nada tinham a ver com o público infantil: O Rei do Show, musical dramático com Hugh Jackman, e Homem-Aranha: De Volta ao Lar, primeiro filme do herói dentro do MCU com Tom Holland. Foi um teste silencioso de alcance — e funcionou.

O que isso muda na prática?

Para quem acompanha indústria do entretenimento, o caso de Zendaya serve de resposta a uma dúvida comum: ex-ator mirim consegue ser levado a sério em Hollywood? A resposta curta é sim, mas exige estratégia. Ela usou os filmes de 2017 como vitrine de alcance adulto antes mesmo de sair da Disney. Não esperou a porta fechar para mostrar outro lado.

O salto definitivo veio com Euphoria, série da HBO Max que estreou em 2019. A produção abordava abuso de drogas, relações tóxicas, luto e depressão em adolescentes — temas opostos ao colorido de No Ritmo. Zendaya interpretou Rue, uma jovem dependente de opioides. O papel rendeu a ela o Emmy de Melhor Atriz em Série Dramática em 2020, aos 23 anos, tornando-se a mais jovem vencedora da categoria. Para quem dois anos antes atuava como agente secreto em uma produção Disney, foi uma virada de chave sem volta.

Depois de Euphoria, vieram os filmes que consolidaram o status de protagonista global: a trilogia Duna, dirigida por Denis Villeneuve, que arrecadou mais de US$ 1,1 bilhão só com o primeiro longa; Rivais (2024); e O Drama (2026). Em paralelo, ela emplacou campanhas de moda com Valentino, Louis Vuitton e Bulgari, virou produtora executiva e passou a escolher projetos em vez de aceitar tudo que aparecia.

Quanto Zendaya ganha hoje — e por que o número impressiona

Em A Odisseia, produção da A24 dirigida por Christopher Nolan e considerada uma das maiores apostas do ano, fontes da indústria especulam que Zendaya recebeu cerca de 7 milhões de dólares (aproximadamente R$ 38 milhões) pelo papel. O valor chama atenção por dois motivos: é o mesmo cachê de Anne Hathaway, que tem mais de duas décadas de carreira, e foi pago mesmo com Zendaya aparecendo bem menos tempo em tela. A negociação mostra que o nome dela, isoladamente, já pesa na conta — independentemente do tamanho do papel.

Comparativamente, antes de Euphoria, o cachê estimado para papéis principais ficava na casa de centenas de milhares de dólares. A multiplicação aconteceu em poucos anos, impulsionada pela combinação de crítica (Emmy, indicações ao Oscar por Duna), bilheteria e presença digital — Zendaya é uma das celebridades com maior engajamento em redes sociais entre atores da sua faixa etária.

Por que ela não tem vergonha da Disney?

Em entrevistas recentes e em encontros com fãs, Zendaya voltou ao tema mais de uma vez. Cita colegas de elenco de No Ritmo, lembra de músicas que gravou para a trilha da série e fala da emissora como uma escola, não como um tropeço. A postura é oposta à de vários colegas que tratam a fase juvenil como algo a ser apagado.

Na prática, esse discurso funciona como proteção de marca. Reconhecer o passado sem desdenhar dele humaniza a celebridade e mantém a base de fãs antiga conectada — exatamente o público que cresce com ela. É uma lição de gestão de imagem que vale tanto para Hollywood quanto para qualquer profissional em transição de carreira: esconder a origem não apaga a trajetória, mas abraçá-la pode render mais engajamento do que distância.

Zendaya encarna hoje um modelo raro: atriz que atravessou a fronteira entre cultura pop teen e cinema de autor sem precisar renegar nenhum dos dois lados. Quem acompanha de perto já percebeu que o próximo passo natural não é apenas atuar — é produzir, escolher e ditar as regras dos próprios projetos.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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