Notícias · Análises · Atualidades
Aos 91 anos, morre Glória Menezes, ícone da TV brasileira

Aos 91 anos, morre Glória Menezes, ícone da TV brasileira

Viúva de Tarcísio Meira, a atriz que marcou gerações nas novelas se despede após mais de 60 anos de carreira.

A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18/8), aos 91 anos, no Rio de Janeiro, por causas naturais, segundo sua assessoria de imprensa. Com mais de seis décadas de carreira, ela ajudou a construir a história da televisão brasileira e deixou personagens que permanecem na memória de diferentes gerações de telespectadores.

A perda acontece poucos dias depois de outra despedida que abalou a dramaturgia nacional: Laura Cardoso faleceu aos 98 anos. As duas veteranas ainda dividiram o cenário de "Irmãos Coragem", novela de 1970, onde Glória interpretou as personagens Lara, Diana e Márcia, enquanto Laura deu vida à inesquecível Sinhana Coragem.

Quem foi Glória Menezes por trás do nome artístico

Pouca gente sabe, mas a mulher que o público conhecia como Glória Menezes nasceu Nilcedes Soares de Magalhães, no Rio Grande do Sul. Foi em São Paulo, porém, que ela encontrou o caminho que mudaria a TV do país. Apaixonada por teatro desde cedo, ingressou na Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (USP), onde deu seus primeiros passos profissionais ainda em 1959.

No mesmo ano em que começou a se apresentar nos palcos, estreou na televisão pela porta de uma novela da TV Tupi, "Um Lugar ao Sol". A partir dali, vieram décadas de trabalho ininterrupto em novelas, minisséries e programas que ajudaram a moldar o jeito brasileiro de contar histórias em horário nobre.

Por que Glória Menezes virou "primeira-dama" da TV

O título não veio por acaso. Na teledramaturgia brasileira, as chamadas "primeiras-damas" são aquelas atrizes que sustentam novelas inteiras nos ombros, dão profundidade a personagens secundárias e conseguem emocionar tanto numa cena de vilã quanto numa mãe sofredora. Glória transitou por esses territórios com uma versatilidade rara.

Quem cresceu assistindo à TV aberta nas décadas de 1970, 1980 e 1990 encontrou Glória Menezes em algum momento da vida sem precisar procurar. Esse é justamente o tipo de presença que forma a memória afetiva de um país — e que faz com que uma perda dessas gere comoção em públicos de idades muito diferentes.

O que essa despedida representa na prática?

Entender o que Glória Menezes representou vai além da curiosidade sobre famosos. É reconhecer como a televisão aberta moldou hábitos, vocabulário e até a forma como brasileiros lidam com temas como família, amor e conflito. Novelas como "Irmãos Coragem" eram praticamente eventos sociais no início dos anos 1970: reuniam a família em torno do aparelho de TV e rendiam conversa no dia seguinte no trabalho e na escola.

Para o leitor mais jovem, que talvez nunca tenha visto uma novela em preto e branco, valeContextualizar: Glória Menezes ajudou a consolidar um modelo de atriz completo, capaz de cantar, interpretar dramas densos e transitar entre comédia e tragédia sem perder credibilidade. Esse legado influencia atrizes e atores que estão no ar até hoje.

Um pedaço da história da TV que se vai

Com a morte de Glória Menezes e Laura Cardoso em um intervalo tão curto, o Brasil perde duas mulheres que viram a televisão nascer, crescer e se transformar em potência cultural. A geração que ainda lembra de cor as cenas de "Irmãos Coragem" sente essa perda de um jeito particular, como quem fecha um álbum de família que não vai mais ganhar páginas novas.

Para quem quer conhecer mais sobre a carreira da atriz, vale explorar acervos da TV Tupi, registros da TV Globo e materiais da Escola de Artes Dramáticas da USP, que guarda parte da memória do teatro e da TV paulistana. São fontes úteis para entender como uma menina nascida no Rio Grande do Sul virou uma das referências mais sólidas da dramaturgia nacional — e por que seu nome merece ser lembrado por quem nem era nascido quando ela estreou na TV.

Continue acompanhando o Portal Brasil News

O que achou deste post?

Jornalista

Fernanda Costa

Leia também