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"Vinte e Cinco, Vinte e Um": por que virou febre mesmo anos depois

"Vinte e Cinco, Vinte e Um": por que virou febre mesmo anos depois

Atemporal e cheio de nostalgia, o k-drama da Netflix emociona novas gerações e mantém o público preso até hoje.

Se você está em busca de um dorama que vai além do romance clichê e te transporta para outra época, "Vinte e Cinco, Vinte e Um" merece entrar na sua lista imediatamente. Disponível na Netflix, a série sul-coreana estrelada por Kim Tae-ri e Nam Joo-hyuk virou queridinha do público justamente por conseguir emocionar quem viveu os anos 90 e, ao mesmo tempo, conquistar quem nem era nascido nessa década.

Uma Coreia dos anos 90 que parece real — e que dói

O grande trunfo da produção é o cenário: a Coreia do Sul às vésperas e durante a crise financeira asiática de 1997-1998. Não é apenas um pano de fundo bonito. A recessão afeta diretamente a vida dos personagens, destruindo famílias, planos e certezas. Quem viveu crises econômicas sabe como isso marca uma geração inteira. Quem não viveu consegue entender, pela tela, o peso de perder tudo de uma hora para outra.

A crise aparece como motor da história. Não é citada de passagem — ela molda decisões, separações e recomeços. Isso dá à narrativa uma densidade rara em comédias românticas juvenis.

Na Hee-do: a protagonista que incomoda e encanta

Kim Tae-ri interpreta Na Hee-do, uma estudante de esgrima cheia de energia, impulsiva e teimosa. Quando a equipe de esgrima da escola é extinta por causa dos cortes orçamentários da crise, ela se recusa a aceitar o fim do sonho e parte em busca de uma solução. É aí que entra Ko Yu-rim, uma esgrimista talentosa que Hee-do admira e que se transforma, gradualmente, em sua maior concorrente.

Hee-do não é a mocinha perfeita que só acerta. Ela toma decisões por impulso, pensa depois, tropeça nas próprias escolhas. Mas é justamente essa humanidade que faz o espectador torcer por ela. Em vez de uma heroína sem falhas, temos alguém que tenta — e isso, por si só, já é inspirador.

Baek Yi-jin: o outro lado da crise

Nam Joo-hyuk vive Baek Yi-jin, um jovem que nasceu em família rica e vê toda a estrutura desmoronar com a crise financeira. De uma hora para outra, ele precisa amadurecer antes da hora, lidar com responsabilidades de adulto enquanto ainda deveria estar sonhando com vestibular.

A dinâmica entre os dois protagonistas funciona porque eles se complementam sem se anular. Hee-do puxa Yi-jin para a ação e para a esperança; Yi-jin traz a ponderação que Hee-do nem sempre tem. É um encontro de dois mundos marcados pela mesma catástrofe.

Amizade, rivalidade e amor — tudo ao mesmo tempo

Um dos pontos altos da série é o grupo de amigos. A relação entre Hee-do, Yi-rim e Yi-jin não se resume a triângulo amoroso. Existe uma amizade construída em meio a dificuldades, com brigas, reconciliações e lealdades testadas. Para quem gosta de histórias sobre vínculos que sobrevivem a fases ruins da vida, esse núcleo entrega bastante.

O romance, quando aparece, não é instalado de forma artificial. Ele cresce com o tempo, respeitando o ritmo dos personagens. Quem curte tramas em que o "eu te amo" demora para chegar e vale a pena a espera vai se reconhecer ali.

O que muda na prática para quem assiste?

Assistir a "Vinte e Cinco, Vinte e Um" funciona quase como uma viagem no tempo. A trilha sonora, o figurino, os cenários e até a linguagem remetem ao final dos anos 90 e começo dos 2000 — período em que a Coreia do Sul passou por transformações profundas. Para o espectador brasileiro, é uma janela para entender melhor a sociedade coreana antes do boom dos K-dramas e do K-pop.

Outro efeito prático: a série lembra que crises financeiras não são apenas números em jornal. Elas atingem jovens que perdem bolsas, famílias que perdem casas e sonhos que são adiados ou abandonados. Quem viveu a crise de 2008 no Brasil ou a recessão mais recente vai se identificar com essa sensação de ter o futuro repentinamente redesenhado por forças externas.

Vale destacar também que, diferente de muitos romances asiáticos, a série equilibra bem os momentos leves com os dramáticos. Tem humor, tem cenas de treino de esgrima bem construídas, tem reviravoltas que prendem. Os episódios têm cerca de uma hora cada, e a maratona flui sem aquela sensação de enrolação que algumas produções coreanas acabam caindo.

Por que esse dorama virou sensação mesmo anos depois do lançamento?

Lançado originalmente em 2022, o dorama continua sendo recomendado e revisitado por quem descobriu recentemente. Parte disso se deve à nostalgia que ele desperta — mesmo em quem não viveu aquela época. Outra parte vem da qualidade técnica: direção firme, fotografia caprichada e atuações convincentes de Kim Tae-ri e Nam Joo-hyuk, dois nomes já consolidados no cenário sul-coreano.

Se você já viu outros títulos conhecidos como "Pousando no Amor", "Tudo Bem Não Ser Normal" ou "Vincenzo" e quer algo com pegada mais coming-of-age, essa é uma porta de entrada excelente. A combinação de amadurecimento, esporte, amizade e romance funciona para diferentes perfis de espectador.

No fim, "Vinte e Cinco, Vinte e Um" é sobre recomeçar quando o mundo parece estar acabando. É uma história sobre juventude — sobre como a gente se transforma mesmo sem querer, muitas vezes por força das circunstâncias. E isso, em qualquer época, continua atual.

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Jornalista

Ana Martins

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