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Twenty-Five, Twenty-One: o K-drama da Netflix que comove o Brasil

Twenty-Five, Twenty-One: o K-drama da Netflix que comove o Brasil

Entre espadas, amizade e o primeiro amor, a série sul-coreana ambientada nos anos 90 conquista com reviravoltas que prendem do início ao fim.

"Twenty-Five, Twenty-One" (Vinte e Cinco, Vinte e Um) é o tipo de dorama da Netflix que prende o espectador já nos primeiros episódios e só solta quando os créditos finais sobem. Estrelado por Kim Tae-ri e Nam Joo-hyuk, o K-drama transporta o público para a Coreia do Sul do final dos anos 1990, em meio a uma das piores crises econômicas da história do país.

Mas o pano de fundo histórico é só o cenário. No centro da história está a juventude, os grandes sonhos e os primeiros golpes da vida adulta — temas que atravessam qualquer fronteira e conversam diretamente com o público brasileiro.

A crise como cenário para amadurecer

Para quem não conhece a história coreana, o fim dos anos 1990 foi marcado por um colapso financeiro que devastou famílias inteiras. Empresas fecharam, empregos sumiram da noite para o dia e a promessa de uma vida de classe média estável simplesmente se rompeu. É nesse contexto duro que a série se desenrola.

Kim Tae-ri vive Na Hee-do, uma estudante do ensino médio apaixonada por esgrima. Quando sua equipe escolar é encerrada por causa da crise, em vez de aceitar a situação, ela decide fazer de tudo para continuar no esporte. É nessa jornada que conhece Ko Yu-rim, uma esgrimista mais velha que admira profundamente e que, em pouco tempo, se transforma em sua maior rival.

Personagens que parecem gente de verdade

O que diferencia "Twenty-Five, Twenty-One" de muitas outras produções da Netflix é a forma como os personagens são construídos. Hee-do é impulsiva, toma decisões questionáveis e muitas vezes parece não pensar nas consequências. Ainda assim, é quase impossível não torcer por ela. Há algo genuíno na maneira como ela insiste em procurar outra possibilidade quando tudo à volta sugere desistir.

Nam Joo-hyuk interpreta Baek Yi-jin, um jovem de família rica que perde quase tudo por causa da crise. Enquanto Hee-do ainda corre atrás do primeiro sonho, Yi-jin já precisa descobrir como sobreviver na vida adulta antes do que imaginava. O contraste entre os dois é um dos motores da narrativa.

A dinâmica entre Hee-do e Yu-rim também merece atenção: trata-se de uma rivalidade-amizade construída em cima de respeito mútuo, mas também de mal-entendidos, ciúmes e pressão do esporte competitivo. A série foge do clichê da inimizade pura e traz algo mais próximo do que muita gente vive na adolescência.

Por que a Coreia dos anos 90 conecta tão bem com o público brasileiro?

O clima nostálgico é um dos grandes atrativos. A obra funciona até para quem nunca viveu aquela época nem pisou na Coreia. As fitas cassete, os computadores enormes, a forma como os jovens se comunicavam sem smartphone — tudo isso cria um efeito de cápsula do tempo que dá vontade de morar dentro da série.

Mas nostalgia sozinha não segura a história inteira. O que prende o espectador de verdade é a universalidade dos conflitos. Primeiro amor, amizades que se rompem, problemas financeiros da família, pressão para escolher um caminho antes de se sentir pronto — são situações que falam diretamente com qualquer pessoa que já foi ou ainda é adolescente.

O que isso muda na prática?

Se você está procurando o que assistir a seguir na Netflix, "Twenty-Five, Twenty-One" é uma escolha certeira para quem curte dramas centrados em personagens, e não em reviravoltas rápidas. É o tipo de série para maratonar num fim de semana, com tempo de se deixar absorver pela história.

Para quem ainda não teve contato com produções coreanas, a obra funciona como um bom portal de entrada. O ritmo é diferente do de thrillers americanos — mais lento, mais focado no desenvolvimento emocional —, mas a trama recompensa quem dá uma chance.

A série também abre uma janela para um momento específico da história coreana, mostrando como uma geração inteira precisou reconstruir a vida do zero diante de uma crise econômica severa — um contexto que, de outra forma, dialoga com o que muitas famílias brasileiras enfrentaram em diferentes momentos.

"Twenty-Five, Twenty-One" não reinventa o gênero, mas consegue algo que muitas produções falham em fazer: faz o espectador se importar tanto com os personagens que, no último episódio, a sensação é de ter perdido um grupo de amigos. É uma série sobre como as experiências mais intensas da juventude — amizades, decepções, primeiros amores — acabam moldando quem a gente se torna, independentemente do país ou da década em que se viveu.

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Jornalista

Renata Oliveira

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