A Samsung, uma das três principais fabricantes de chips de memória RAM/DRAM, pode atingir em 2026 um nível de lucro operacional tão alto que superaria o resultado somado dos últimos 40 anos. A previsão vem do presidente da divisão Device Solutions (DS), Kim Yong-kwan, ligado à produção de semicondutores, e está associada à demanda crescente por DRAM em data centers de IA.
O que essa previsão diz, na prática
Segundo o executivo, a Samsung deve bater a meta do ano fiscal atual e registrar receita de aproximadamente US$ 217 bilhões (cerca de R$ 1,5 trilhão). Em paralelo, o The JoongAng relata que ele afirmou que o “lucro operacional deste ano atenderá às expectativas do mercado”.
Se essa trajetória continuar, o impacto é grande: o valor seria suficiente para superar o lucro cumulativo da empresa no período em que ela atua no mercado de semicondutores. O ponto central, aqui, não é apenas “lucro maior”, mas o motivo do crescimento: a indústria está puxada por data centers que exigem grandes volumes de memória para processar e treinar sistemas de inteligência artificial.
Por que DRAM para IA está movendo toda a cadeia
A Samsung não está sozinha. SK Hynix e Micron também aparecem com forte expansão. De acordo com o material de referência, o setor teve um aumento de 85,8% nos lucros em relação ao último trimestre fiscal de 2025, e a participação da Samsung nesse mercado teria crescido de forma relevante, com as vendas praticamente dobrando.
O motivo tem uma consequência direta: com a alta demanda por memória usada em servidores, as fabricantes estariam priorizando chips voltados para data centers. Isso reduz a oferta de componentes destinados a eletrônicos de consumo, como PCs e outros dispositivos que dependem de DRAM.
O “efeito colateral”: memórias mais caras e mais pressão na compra
Quando a demanda sobe e a disponibilidade fica mais apertada, o mercado tende a repassar parte desse desequilíbrio. O texto de referência aponta que a escassez de memórias já afeta a indústria e pode resultar em aumento de preços.
Há uma indicação específica trazida por Ethan Tan, ex-executivo da Samsung na China: ele prevê que os valores podem ser 40% maiores neste segundo trimestre fiscal e que novos reajustes poderiam ocorrer no período seguinte, com aumentos de até 30%. Como esse é um prognóstico, o leitor deve entender como tendência esperada, não como garantia de preço final em cada produto.
O que isso pode significar para quem compra tecnologia
Se você está pensando em comprar notebook, PC, servidor, workstation ou mesmo montar/upgrade de máquina, esse tipo de cenário costuma aparecer no bolso de duas formas: (1) preços mais altos e (2) menor disponibilidade de certas configurações.
Mesmo quando o seu dispositivo não “usa IA diretamente”, ele depende de memória — e, no fim, a cadeia produtiva precisa atender primeiro a demanda que está garantindo maior prioridade de fabricação: os data centers.
Na prática, isso pode aumentar o custo total em upgrades (mais RAM) e também encarecer equipamentos que usam módulos de memória como parte essencial do conjunto. A referência não traz preços de varejo no Brasil, então não dá para cravar quanto cada modelo ficará mais caro, mas o mecanismo do mercado (demanda maior + menor oferta para consumo) explica por que a pressão costuma chegar ao usuário.
Samsung x Nvidia: por que o assunto vai além de “chips de memória”
O material também compara o avanço financeiro de duas frentes. De um lado, a Samsung (linha Galaxy e também negócios de semicondutores). Do outro, a Nvidia, apontada como empresa mais valiosa do setor de tecnologia no momento.
Conforme citado, no primeiro trimestre fiscal a Nvidia registrou lucro de US$ 53,4 bilhões (cerca de R$ 276,8 bilhões). Já a Samsung pode alcançar US$ 55,1 bilhões (cerca de R$ 284,9 bilhões) apenas no segundo trimestre, segundo o SamMobile. A comparação serve para ilustrar a magnitude do ciclo atual, mas vale lembrar: são métricas em períodos e empresas diferentes, então não é uma “competição direta” que deva ser traduzida como ganho imediato em produtos individuais.
Então vale esperar ou comprar antes?
Não existe resposta única, porque o preço final depende de vários fatores além dos chips (câmbio, impostos, margens e estoques do varejo). Mas, com base no que o material aponta, existe um sinal claro de risco de encarecimento para o curto e médio prazo, já que a escassez tende a reorganizar prioridades da indústria.
Se você tem uma necessidade imediata (trabalho, estudo, projetos) e precisa garantir desempenho e capacidade de memória, adiar pode significar pagar mais, principalmente se o aumento estimado pelo executivo estiver mais próximo do que do cenário “estável”. Por outro lado, se sua compra pode ser postergada com segurança, acompanhar a evolução do mercado e promoções pode ajudar a capturar oportunidades.
Em qualquer caso, vale olhar para o que realmente importa na sua decisão: quanto de RAM você precisa para suas tarefas, se haverá espaço para upgrade e qual a diferença de preço entre configurações com mais memória. Em períodos de pressão de custo, a vantagem de “pegar mais RAM desde o início” pode variar, então compare.
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