Notícias · Análises · Atualidades
Xiaomi vê lucro cair 42% e dá sinal sobre preços de smartphones

Xiaomi vê lucro cair 42% e dá sinal sobre preços de smartphones

Desempenho abaixo do esperado acende alerta para possíveis reajustes nos próximos lançamentos da marca chinesa.

A chinesa Xiaomi divulgou os resultados do segundo trimestre nesta terça-feira (18) e o cenário foi de queda nos números: o lucro líquido ajustado recuou 42,6%, para 6,2 bilhões de yuans (cerca de US$ 919,5 milhões), enquanto a receita caiu 6,1% em relação ao ano anterior, totalizando 108,9 bilhões de yuans. Ambos os indicadores ficaram abaixo das expectativas dos analistas consultados pela LSEG, que projetavam 6,6 bilhões de yuans de lucro e 112,2 bilhões de yuans de receita.

O vilão da vez: o preço da memória

O principal fator por trás do tom negativo do balanço foi o custo elevado de componentes, especialmente os chips de memória. A própria Xiaomi reconheceu, em comunicado oficial, que "aumentos significativos nos custos dos principais componentes, incluindo memória, juntamente com a intensificação da concorrência no setor, continuaram a criar dificuldades para nossos negócios".

Em teleconferência após a divulgação, o presidente da empresa, William Lu, reforçou que os custos de memória permaneceram em patamares historicamente altos durante o segundo trimestre, pressionando as margens tanto no segmento de smartphones quanto no de tablets.

Por que isso importa para o consumidor?

Para quem acompanha o mercado de tecnologia, esse movimento não é novidade. Desde o início do ano, fabricantes de smartphones têm reclamado do encarecimento de memórias RAM e armazenamento, reflexo da alta demanda por chips voltados a inteligência artificial e data centers. O resultado é simples: componentes mais caros significam aparelhos mais caros — ou margens menores para quem não repassa o custo.

No caso da Xiaomi, que tem forte presença no Brasil com linhas intermediárias e de entrada como Redmi Note e Poco, qualquer aperto nas margens pode se traduzir em reajustes nas prateleiras ou em versões mais "enxutas" dos aparelhos. Foi justamente para tentar preservar a competitividade que a empresa ampliou o leque de parceiros de memória, buscando fornecedores fora do trio tradicional Samsung, SK Hynix e Micron.

O alívio pode estar a caminho

A boa notícia para a indústria — e para o bolso do consumidor — é que a própria Xiaomi acredita que o pior já passou. Segundo a empresa, o ritmo de alta nos preços das memórias deve desacelerar no segundo semestre, o que abriria espaço para uma recuperação gradual das margens.

Esse cenário é reforçado por projeções de mercado que indicam uma possível acomodação nos preços dos chips de memória ao longo dos próximos meses, à medida que novas fábricas entram em operação e parte da demanda corporativa migra de fornecedor.

Veículos elétricos ganham peso na estratégia

Enquanto o negócio de smartphones enfrenta turbulência, a Xiaomi tem acelerado sua aposta em veículos elétricos. A empresa projeta que essa divisão, atualmente em rápido crescimento, venha a responder por uma fatia cada vez maior da receita nos próximos trimestres.

Para se ter uma ideia do ritmo, o segmento de carros elétricos da Xiaomi já figura entre os que mais crescem dentro do portfólio da companhia, mesmo operando basicamente no mercado chinês. A estratégia segue a tendência de outras gigantes da tecnologia asiática que enxergam no setor automotivo uma nova fronteira de expansão.

O que isso muda na prática?

Na ponta, o leitor brasileiro pode esperar três movimentos nos próximos meses. Primeiro: possíveis quedas ou estabilização de preços em smartphones da Xiaomi e de outras marcas que dependem dos mesmos fornecedores de memória, caso a projeção de desaceleração se confirme. Segundo: mais lançamentos da linha Redmi e Poco voltados ao público que busca custo-benefício, já que a empresa precisa manter volume de vendas para compensar margens apertadas. Terceiro: novidades cada vez mais frequentes no segmento automotivo da marca — ainda que a chegada de carros elétricos Xiaomi ao Brasil siga distante por enquanto.

O balanço fraco do segundo trimestre, portanto, não deve ser lido apenas como um sinal de alerta. Ele mostra uma empresa lidando com um cenário de custos adversos enquanto redireciona parte de sua energia para um mercado de longo prazo. Para o consumidor, o efeito prático mais imediato continua sendo o preço dos aparelhos que compramos todos os anos.

Continue acompanhando o Portal Brasil News

O que achou deste post?

Jornalista

Ana Martins

Leia também