O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, usou suas redes sociais nesta terça para se despedir de Franco Baresi, ex-zagueiro e lenda do Milan, que morreu na sexta-feira (31) aos 66 anos. Na publicação, o italiano compartilhou uma foto ao lado do ex-jogador e escreveu: "Você será para sempre o meu capitão. Descanse em paz." A morte foi confirmada pelo próprio clube, que não revelou a causa do falecimento, mas informou que Baresi enfrentava problemas de saúde desde que passou por uma cirurgia para retirada de um nódulo pulmonar em 2025.
Quem foi Franco Baresi e por que ele é tão importante
Para quem não acompanha futebol europeu há décadas, o nome pode não dizer muito — mas Baresi é considerado um dos maiores zagueiros de todos os tempos. Ele defendeu apenas o Milan durante toda a carreira, de 1977 a 1997, vestindo a camisa número 6 por 719 partidas. Ganhou tudo o que podia: três títulos da Champions League (então chamada de Copa dos Campeões da Europa), seis Serie A italianas, dois Mundiais Interclubes e uma Copa do Mundo de Clubes.
Baresi era o símbolo da defesa conhecida como "Invicta" — o Milan de Arrigo Sacchi e Fabio Capello que dominou o futebol mundial nos anos 1988-1990 com uma linha defensiva quase intransponível, ao lado de Paolo Maldini, Alessandro Costacurta e Mauro Tassotti. Ele era o líbero, o cérebro da defesa, responsável por organizar o posicionamento de todos à sua volta. Mesmo com apenas 1,76m de altura, compensava com leitura de jogo, antecipação e uma elegância rara para a posição.
Fora dos campos, Baresi é respeitado pela postura discreta e pela lealdade ao clube — recusou propostas de Real Madrid e Barcelona para ficar no Milan a vida inteira. Virou diretor técnico do clube após se aposentar e permaneceu ligado à instituição até os últimos anos.
A relação com Ancelotti
Carlo Ancelotti foi jogador do Milan entre 1987 e 1992, justamente o período áureo da equipe. Nesse período, dividiu vestiário com Baresi e depois o teve como companheiro de trabalho quando voltou ao clube como técnico, entre 2001 e 2009. Foi nessa segunda passagem que conquistaram juntos duas Champions League (2003 e 2007) e uma Serie A.
Por isso, a frase "meu capitão" carrega peso simbólico: Baresi foi capitão do Milan por muitos anos e capitão dentro e fora de campo. Para Ancelotti, ele era referência como jogador, como profissional e como pessoa. A publicação do técnico brasileiro chamou atenção justamente por ser simples, direta e sem rodeios — ao estilo dos dois.
O que isso muda na prática?
Para o torcedor comum, especialmente o brasileiro que acompanha a seleção, a morte de Baresi não muda nada em termos de tabela ou resultados. Mas mostra o lado humano de Carlo Ancelotti, que está à frente da seleção brasileira desde maio de 2024. Quem acompanha o trabalho do italiano no Brasil já percebeu que ele mantém uma relação afetiva forte com ex-jogadores e ex-companheiros, e costuma citar suas referências em entrevistas.
A repercussão também reacende um debate sobre saúde masculina, especialmente em ex-atletas de alta performance. Baresi enfrentou uma cirurgia pulmonar em 2025 e, segundo o clube, vinha lidando com complicações desde então. O caso lembra o quanto é importante o acompanhamento médico regular, mesmo para quem sempre aparentou boa forma física.
O funeral e as próximas homenagens
O Milan confirmou que o funeral de Baresi será realizado na próxima terça-feira (4), às 11h no horário local (7h em Brasília), na Basílica de Sant'Ambrogio, em Milão — um dos templos mais importantes da Igreja Católica na Itália e local tradicional de cerimônias de Estado e grandes figuras do país. É esperado que o evento reúna jogadores, ex-jogadores, dirigentes e fãs do clube rossonero.
O clube também anunciou que pretende aposentar de forma definitiva a camisa número 6 em homenagem ao capitão — embora nenhum jogador tenha usado esse número desde sua aposentadoria, a oficialização é vista como um gesto simbólico forte. A expectativa é que o San Siro receba uma série de homenagens nas próximas rodadas da Serie A e da Champions League.
Para quem se interessa por história do futebol, vale revisar os jogos clássicos do Milan de Baresi — especialmente as finais de Champions de 1989 e 1990 contra o Steaua Bucareste e o Benfica, disponíveis em plataformas de streaming e documentários especializados. Entender Baresi é entender parte da essência do futebol italiano moderno.
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