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da Meta caem mais de 6% após lucro frustrar Wall Street

da Meta caem mais de 6% após lucro frustrar Wall Street

Resultado do trimestre desagrada investidores e empresa de Zuckerberg perde bilhões em valor de mercado na bolsa

As ações da Meta — dona de Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp — recuaram mais de 6% nesta quarta-feira (29) depois que a empresa divulgou os resultados do segundo trimestre de 2025. A queda veio mesmo com a receita da companhia superando as projeções do mercado: o que frustrou os investidores foi o lucro por ação (EPS) menor do que o esperado e uma previsão de receita para o trimestre atual considerada tímida demais pelos analistas.

Os números que pesaram contra a Meta

O lucro por ação ficou em US$ 6,18 (R$ 31,69), enquanto a projeção compilada pela LSEG era de US$ 7,22 (R$ 37,02). É uma diferença relevante: o mercado já havia precificado um resultado mais robusto, e o EPS entregue ficou cerca de 14% abaixo do consenso.

Do lado da receita, a história foi outra. A Meta registrou US$ 60,8 bilhões (R$ 311,7 bilhões) no trimestre, volume acima da estimativa de US$ 60,1 bilhões (R$ 308,5 bilhões). Ou seja, a empresa continua crescendo em faturamento, mas não converteu esse crescimento em lucro na intensidade que o mercado esperava.

A projeção para o trimestre atual desapontou

Para o terceiro trimestre, a Meta指引ou uma receita entre US$ 61 bilhões e US$ 64 bilhões (R$ 312,8 bilhões), com ponto médio de US$ 62,5 bilhões (R$ 320,4 bilhões). Os analistas projetavam US$ 63,1 bilhões (R$ 323,8 bilhões), segundo a LSEG. A diferença de US$ 600 milhões no ponto médio foi suficiente para fazer o papel despencar mais de 6% no pregão.

A empresa também alertou que a variação cambial deve representar um impacto negativo de aproximadamente 1% no crescimento anual da receita, considerando as taxas de câmbio atuais. Em outras palavras, mesmo que o dólar siga oscilando, a Meta já embutiu nos números um cenário menos favorável por causa da moeda.

O que isso muda na prática?

Para o investidor pessoa física, o recado é claro: mesmo empresas bilionárias e lucrativas como a Meta podem frustrar o mercado quando entregam menos do que o esperado em um único indicador-chave. O lucro por ação é um dos números mais acompanhados por analistas, e qualquer desvio relevante — para baixo — costuma gerar reação imediata no preço das ações.

Para quem não investe, mas usa os produtos da Meta no dia a dia, o movimento tem leitura indireta. Quando uma empresa desse porte enfrenta pressão do mercado por conta de custos elevados — especialmente os bilionários investimentos em inteligência artificial e realidade virtual — existe uma tendência de buscar mais eficiência operacional. Na prática, isso pode se traduzir em mais automação, ajustes em equipes e mudanças estratégicas nos produtos que milhões de brasileiros usam todos os dias.

Por que o mercado reagiu tão forte?

Wall Street costuma punir mais a decepção do que premiar a surpresa positiva. A Meta vinha de trimestres sólidos, e o consenso estava calibrado para cima. Quando a empresa entrega receita acima do esperado, mas lucro abaixo e指引 fraca para o futuro, a mensagem que sobra é: "crescemos, mas gastamos mais do que deveríamos". E foi exatamente isso que o mercado interpretou.

Além disso, o guidance mais conservador pode indicar que a empresa já enxerga algum cenário desfavorável à frente — seja por desaceleração da publicidade digital, seja pelo impacto cambial citado, ou ainda pelos custos crescentes com infraestrutura de IA, que têm pesado no balanço das big techs.

Contexto para quem acompanha o setor de tecnologia

O resultado da Meta chega em um momento em que outras gigantes da tecnologia também estão sob escrutínio por conta dos altos investimentos em inteligência artificial. Google, Microsoft e Amazon enfrentam pressão semelhante para mostrar que os bilhões gastos em IA vão se traduzir em retorno financeiro concreto. O mercado está mais exigente: não basta crescer, é preciso crescer com margem.

A Meta, vale lembrar, tem apostado pesado em modelos de IA próprios e em óculos de realidade aumentada e virtual. Esses projetos exigem capital intensivo e ainda não têm retorno claro. Por isso, cada resultado trimestral vira uma espécie de "prova de fogo" para mostrar ao mercado que a estratégia de longo prazo não está comprometendo o desempenho de curto prazo.

O dia seguinte ao balanço costuma ser de volatilidade. Mas o recado principal já foi dado: a Meta continua uma máquina de receita, mas o mercado quer ver essa máquina convertendo mais vendas em lucro — e com perspectivas mais robustas para os próximos meses. Até que isso aconteça, o papel pode seguir sensível a qualquer novo número abaixo das expectativas.

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Jornalista

Sarah Martins

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