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Lucro abaixo do esperado derruba ações da Meta em 6%

Lucro abaixo do esperado derruba ações da Meta em 6%

Fraco resultado reacende dúvidas sobre os pesados investimentos em IA e metaverso e preocupa investidores em Wall Street.

A Meta, dona do Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads, viu suas ações despencarem mais de 6% no pregão desta quarta-feira (29) após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2025. O motivo da reação negativa do mercado foi uma combinação de lucro por ação abaixo do esperado e uma projeção de receita para os próximos meses considerada morna demais pelos analistas de Wall Street.

Os números que desapontaram

A empresa registrou lucro por ação (EPS) de US$ 6,18, o equivalente a aproximadamente R$ 31,69. O número ficou bem distante da projeção dos analistas, que era de US$ 7,22 (R$ 37,02), segundo dados compilados pela LSEG. Esse foi o principal motivo da queda dos papéis, já que investidores costumam reagir com mais intensidade a surpresas no lucro do que na receita.

Por outro lado, a receita da Meta no trimestre veio acima das expectativas: US$ 60,8 bilhões (R$ 311,7 bilhões), contra uma projeção de US$ 60,1 bilhões (R$ 308,5 bilhões). Ou seja, a empresa continuou crescendo em faturamento, mas não na velocidade que o mercado gostaria — especialmente considerando os investimentos bilionários que a companhia tem feito em inteligência artificial.

A projeção que preocupou os investidores

Para o terceiro trimestre, a Meta指引ou uma receita entre US$ 61 bilhões e US$ 64 bilhões, com ponto médio de US$ 62,5 bilhões (R$ 320,4 bilhões). O problema é que os analistas projetavam algo em torno de US$ 63,1 bilhões (R$ 323,8 bilhões). Mesmo com a empresa superando consistentemente suas próprias estimativas nos últimos trimestres, a faixa指引ada agora ficou abaixo do que o mercado queria ouvir.

A Meta também chamou atenção para um fator cambial: a empresa espera que a variação do dólar tenha um impacto negativo de cerca de 1% no crescimento anual da receita, considerando as taxas de câmbio atuais. Para uma companhia com operações globais, esse tipo de movimento no câmbio pode comprimir margens e afetar diretamente o resultado convertido em reais.

O que isso muda na prática?

Para quem investe ou acompanha o mercado de tecnologia, esse tipo de resultado serve como termômetro do setor. A Meta vinha sendo uma das grandes apostas em IA generativa, com aportes pesados em infraestrutura, chips próprios e modelos de linguagem. O mercado interpreta cada resultado trimestral como uma sinalização sobre o retorno — ou não — desses investimentos.

Mesmo com a queda de 6%, é importante colocar o resultado em perspectiva: a Meta continua sendo uma das empresas mais lucrativas do mundo, com receita trimestral acima dos R$ 300 bilhões. A reação do mercado não significa que a empresa esteja em crise, mas sim que os investidores estão menos tolerantes com surpresas negativas em um cenário de gastos crescentes com IA e concorrência acirrada com empresas como OpenAI, Google e Microsoft.

Para o usuário comum das plataformas da Meta, nada muda no curto prazo. Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads continuam funcionando normalmente, e não há sinal de que a empresa vá cortar investimentos em produtos voltados ao consumidor final. Pelo contrário: parte da pressão sobre o lucro vem justamente do fato de a Meta estar gastando mais para manter suas plataformas competitivas, especialmente em recursos de IA dentro dos apps.

Por que esse tipo de notícia importa para o brasileiro?

Mesmo quem não tem ações da Meta se beneficia de entender o que acontece com as big techs. Essas empresas ditam tendências em tecnologia, publicidade digital, inteligência artificial e até em políticas de moderação de conteúdo — questões que afetam diretamente a forma como brasileiros usam a internet, consomem conteúdo e recebem anúncios.

Além disso, a Meta é uma das maiores compradoras de mídia digital do Brasil. Quando a empresa指引a um trimestre mais fraco, isso pode ter reflexos no mercado publicitário nacional, já que muitas empresas de mídia, criadores de conteúdo e agências dependem diretamente dos investimentos da companhia para sobreviver.

Por fim, vale acompanhar de perto os próximos movimentos da empresa em IA. A Meta vem lançando recursos generativos em seus apps e investindo em modelos próprios. Se os retornos sobre esses aportes não vierem nos próximos trimestres, é provável que a pressão sobre as ações continue — e, com ela, mudanças na estratégia da empresa que podem chegar até o seu feed.

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Jornalista

Ana Martins

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