Pela primeira vez na história, o festival Levitation — um dos mais respeitados do circuito alternativo mundial — desembarca na América do Sul. A edição brasileira acontece no dia 23 de janeiro, no Komplexo Tempo, em São Paulo, com um lineup que mistura peso, psicodelia e experimentalismo: Melvins, Osees, Boris e Frankie and the Witch Fingers representam o time internacional, enquanto Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis comandam o lado nacional do palco.
O que é o Levitation e por que ele é tão relevante
Quem está acostumado com festivais de grande porte pode pensar que Levitation é "mais um evento de música". Não é. O festival nasceu em Austin, no Texas, em 2008, e rapidamente se consolidou como referência para quem acompanha música psicodélica, stoner, shoegaze, doom e experimental. Não é sobre volume de público — é sobre curadoria. As edições anteriores reuniram nomes como Tame Impala, The Flaming Lips, MGMT, Slowdive, My Bloody Valentine e Psychic TV, entre outros.
Trazer o Levitation para a América do Sul é, na prática, abrir uma janela rara de contato direto com bandas que raramente passam pelo continente. Muitas delas só aparecem em turnês europeias ou nos EUA, o que torna a data paulista uma oportunidade quase única para o público brasileiro.
As atrações internacionais que valem o ingresso
Melvins é praticamente uma instituição do rock pesado. A banda de Buzz Osborne está ativa desde 1983 e serviu de influência direta para nomes como Nirvana e Tool. Quem curte peso lento, experimentalismo e atitude underground vai reconhecer a importância do grupo logo nos primeiros acordes.
Osees (anteriormente conhecidos como Thee Oh Sees) é o projeto de John Dwyer, um dos nomes mais prolíficos do rock alternativo atual. Com mais de 20 álbuns e uma energia de palco que costuma ser comparada a um curto-circuito controlado, a banda é conhecida por mesclar garage rock, krautrock e psicodelia sem repetição de fórmula.
Boris vem do Japão e é sinônimo de música extrema em todas as suas formas: drone, doom, noise, shoegaze, punk. O trio de Wata, Takeshi e Atsuo já colaborou com artistas como Merzbow, Keiji Haino e o próprio Sunn O))). É o tipo de banda que pode entregar tanto uma parede de som hipnótica quanto uma balada melancólica, dependendo do dia.
Frankie and the Witch Fingers é a aposta mais nova entre as atrações. Vindos de Los Angeles, o grupo mistura garage rock, punk e psicodelia com uma pegada contemporânea — perfeito tanto para quem já acompanha o gênero quanto para quem quer descobrir algo novo.
A cena brasileira ganha palco à altura
Não é de hoje que o Brasil produz bandas que dialogam com essas referências. A escalação de Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Boreallis mostra que o festival conhece a produção local. Test já tem nome consolidado no underground pesado e experimental brasileiro. Bike transitou por diferentes formações e mantém uma sonoridade que mistura ruído, rock e elementos brasileiros. Ema Stoned representa bem a cena psych/stoner nacional, e Bufo Boreallis — que inclusive já se apresentou em edições do Levitation no Texas — é um dos nomes mais respeitados do fuzz e da psicodelia feita no Brasil.
Essa escolha de lineup local reforça algo importante: o Levitation não veio só para mostrar bandas estrangeiras. Veio também para conectar duas cenas que já se influenciam mutuamente.
Um circuito sul-americano, não só uma data isolada
A estreia sul-americana do festival não se resume a São Paulo. A turnê passa por Buenos Aires em 20 de janeiro e Santiago em 21 de janeiro, formando um circuito regional que começa justamente com o público argentino e chileno antes de chegar ao Brasil. Para o fã brasileiro, isso significa que a vinda do festival não é um caso isolado — é parte de uma estratégia de expansão que reconhece a força da cena alternativa latino-americana.
O que isso muda na prática?
Para o leitor que acompanha festivais e turnês internacionais, a principal mudança é simples: não é preciso comprar passagem para a Europa ou para os Estados Unidos para ver essas bandas ao vivo. Muitas delas nunca tocaram no Brasil — outras vieram poucas vezes em turnês próprias, sem a mesma estrutura de produção que um festival do porte do Levitation oferece.
Outro ponto prático é o caráter da apresentação. Festivais como o Levitation costumam prezar por som de qualidade, iluminação à altura e produção que valoriza a performance — um contraste bem-vindo em relação a shows menores, onde a banda às vezes toca em palcos improvisados ou com limitação de tempo.
Para quem nunca teve contato com essas vertentes musicais, vale o aviso: o festival é uma boa porta de entrada. A curadoria é o ponto forte — não é necessário conhecer todas as bandas para aproveitar. A sequência de shows costuma ser pensada para construir uma jornada, do peso à melodia, da agressividade à experimentação.
Detalhes práticos para quem quer ir
O evento acontece no Komplexo Tempo, em São Paulo, no dia 23 de janeiro. As bandas internacionais — Melvins, Osees, Boris e Frankie and the Witch Fingers — dividem o palco com os brasileiros Test, Bike, Ema Stoned e Bufo Borealis. Informações sobre horários, setores e ingressos devem ser consultadas diretamente nos canais oficiais do festival e do próprio Komplexo Tempo, já que o material de referência não traz valores nem detalhes de credenciamento.
Como o evento integra um circuito que começa em Buenos Aires (20/01) e segue para Santiago (21/01) antes de chegar ao Brasil, fãs de outros países da América do Sul têm a chance de acompanhar parte da turnê sem necessariamente viajar para São Paulo.
Por que importa agora
O calendário de festivais alternativos no Brasil tem crescido nos últimos anos, mas ainda é raro ver eventos com o peso de marca e a relevância internacional do Levitation aportando por aqui. A vinda do festival sinaliza um movimento mais amplo de descentralização: o circuito alternativo global está de olho na América do Sul — e o Brasil, com sua cena underground ativa e diversificada, é parada obrigatória.
Para o público, é a chance de participar de um momento histórico da música alternativa no continente. Quem for, estará na primeira edição. Quem perder, vai ouvir falar.
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