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Faith No More: como a banda moldou o nu metal e o rock dos 90

Faith No More: como a banda moldou o nu metal e o rock dos 90

A fusão de metal, funk e rap que originou bandas lendárias e quebrou todas as fronteiras do cenário alternativo.

A seção clássica de música desta semana é dedicada aos Faith No More, banda norte-americana de metal alternativo formada em São Francisco, Califórnia, em 1982. O grupo retornou às atividades em 2009 após uma pausa de 11 anos e segue como uma das referências mais importantes do rock dos anos 1990.

Quem são os Faith No More?

Antes de adotarem o nome atual, os integrantes passaram por duas formações anteriores: Sharp Young Men e, em seguida, Faith No Man. Só em 1982 o nome definitivo foi escolhido. Ao longo de mais de quatro décadas de existência irregular, a banda lançou sete álbuns de estúdio e acumulou hits que atravessaram gerações.

O reconhecimento massivo chegou entre o fim dos anos 80 e a década de 90, impulsionado por canções como "Epic" e "Falling to Pieces", ambas do álbum The Real Thing (1989), além de "Midlife Crisis" e o cover de "Easy" — originalmente do grupo americano The Commodores — presentes em Angel Dust (1992). Mais tarde, "Ashes to Ashes", do disco Album of the Year (1997), também entrou para o repertório clássico da banda.

Por que a banda importa até hoje?

O estilo do Faith No More é difícil de encaixar em uma única gaveta. A sonoridade mistura punk, jazz, funk, heavy metal, rap, easy listening e pop — uma combinação que rendeu o rótulo de metal alternativo. Críticos e músicos dos anos 90 atribuem ao grupo papel de catalisador do surgimento do nu metal. O próprio Jonathan Davis, vocalista do Korn, já afirmou que "Epic" funcionou como protótipo do modelo que olheiros da música procuravam para招募 novos artistas. Davis foi além: convocou o baterista Mike Bordin, do Faith No More, para tocar no Korn.

Um ponto de virada na história do grupo foi a entrada do vocalista Mike Patton em 1988. Os vocais característicos dele são apontados como a maior razão para o salto comercial da banda — Patton se tornou uma das vozes mais reconhecidas do rock alternativo nas décadas seguintes.

O que isso muda na prática para o ouvinte?

Para quem está descobrindo a banda agora, a recomendação prática é começar pelos dois álbuns mais vendidos: The Real Thing (1989) e Angel Dust (1992). Eles concentram os maiores sucessos e mostram bem a versatilidade sonora do grupo. Em seguida, vale ouvir Album of the Year (1997), que mantém a qualidade criativa mesmo em um momento de transformações internas, e Sol Invictus (2015), o sétimo álbum de estúdio, lançado após a reunião de 2009.

Se a ideia é montar uma playlist curta com a essência do Faith No More, uma seleção inicial pode incluir: "Epic", "Falling to Pieces", "Midlife Crisis", "Easy" e "Ashes to Ashes". São faixas suficientes para entender por que a banda é considerada uma das maiores do rock dos anos 90 e segue influenciando novas gerações de músicos.

A relação com o Brasil

O grupo construiu uma base de fãs sólida no país. A passagem constante do videoclipe de "Epic" na MTV Brasil nos anos 90 foi decisiva para popularizar o nome. A banda também marcou presença no Rock in Rio II e voltou ao país em 2009 para tocar no Maquinária Festival. O ponto alto dessa conexão aconteceu em 14 de novembro de 2011, quando os Faith No More foram a atração de encerramento do Festival SWU, realizado em Paulínia, no interior de São Paulo.

Para os fãs brasileiros, essa história ajuda a explicar por que a discografia da banda costuma aparecer em listas de "rock essencial" publicadas por veículos especializados do país — o público daqui acompanhou de perto cada fase do grupo.

A pausa, a reunião e o legado

Após seis álbuns de estúdio, os Faith No More anunciaram oficialmente uma pausa em 20 de abril de 1998. Onze anos depois, em 24 de fevereiro de 2009, os membros confirmaram uma reunião para uma digressão europeia e uma nova passagem pelo Brasil. O retorno rendeu não apenas shows, mas também material novo: Sol Invictus chegou às plataformas em maio de 2015, mostrando que a banda ainda tinha algo a dizer.

O legado do Faith No More ultrapassa as paradas de sucesso. Ao misturar referências tão distintas em um mesmo disco, o grupo abriu caminho para que bandas posteriores experimentassem sem medo de soar "estranhas". Essa liberdade criativa é, em grande parte, a herança que o nu metal, o rock alternativo e até mesmo parte do rock experimental dos anos 2000 carregam.

Se você tem uma banda que gostaria de ver aqui na seção de clássicos, deixe o nome nos comentários — a ideia é transformar essas sugestões em futuras matérias.

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Jornalista

André Santos

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