A FIFA confirmou que vai colocar em pauta, oficialmente, a possibilidade de expandir a Copa do Mundo para 64 seleções a partir da edição de 2030. O anúncio foi feito pelo presidente da entidade, Gianni Infantino, logo após o encerramento da Copa de 2026, que já havia promovido um salto histórico ao passar de 32 para 48 participantes. A proposta original veio da Conmebol e revive um debate que divide cartolas ao redor do mundo.
Por que a ideia voltou agora?
O contexto é simbólico: 2030 marca os 100 anos da primeira Copa do Mundo, realizada no Uruguai em 1930. A Conmebol, confederação que reúne as seleções sul-americanas, apresentou a sugestão ainda em 2025 defendendo que uma edição tão especial merecesse um formato ampliado. Para Infantino, a discussão faz sentido porque o futebol mudou — seleções de continentes antes considerados coadjuvantes hoje têm nível competitivo suficiente para justificar mais vagas.
A fala do presidente da FIFA, no entanto, foi cautelosa. Ele afirmou que o tema "será examinado e discutido nos comitês relevantes após esta Copa do Mundo", sem cravar que a mudança vai acontecer. Na prática, isso significa que a proposta entrou na fila de análise, mas ainda precisa passar por avaliações técnicas, esportivas e logísticas antes de qualquer aprovação.
De 32 para 48 e, agora, para 64?
Para entender o tamanho do salto, vale lembrar o caminho percorrido. Entre 1998 e 2022, a Copa do Mundo teve 32 seleções. Em 2026, subiu para 48, com mais jogos, mais países-sede e um formato distribuído entre três países (Estados Unidos, México e Canadá). Ir para 64 seria praticamente dobrar o tamanho do torneio em apenas duas edições.
O efeito direto seria um calendário ainda mais longo, um número muito maior de partidas e uma logística de hospedagem, transporte e segurança ampliada. Países-sede teriam que receber delegações por mais tempo, e jogadores ficariam à disposição das seleções por um período maior do que já ocorre hoje — algo que preocupa clubes europeus, por exemplo, que veriam seus atletas desfalcados por ainda mais semanas.
O que está em jogo para cada confederação
A proposta tem apoio declarado da Conmebol, que enxerga na expansão uma forma de dar mais espaço a seleções sul-americanas e africanas. A Ásia e a África, historicamente sub-representadas no Mundial, também tendem a ganhar mais vagas em qualquer cenário de ampliação — fator que Infantino usou como argumento principal.
A resistência, porém, é expressiva. Aleksander Čeferin, presidente da Uefa, classificou publicamente a ideia como uma "má ideia", temendo a queda de qualidade das fases iniciais e o excesso de jogos sem apelo esportivo. Dirigentes da Concacaf (América do Norte e Central) e da Confederação Asiática também manifestaram preocupação, embora por motivos diferentes — mais vagas para todos, no fim, podem diluir as suas próprias chances de classificação.
O que isso muda na prática para o torcedor?
Para quem acompanha futebol, a mudança concreta seria esta: a Copa passaria a ter algo em torno de 128 partidas, ante as aproximadamente 104 previstas para o formato de 64 seleções (ou as 64 do modelo de 48 times em 2026). Mais jogos significam mais chances de ver seleações pequenas em campo, estádios menores recebendo grandes partidas e uma cobertura midiática mais longa.
Há, porém, um efeito colateral que costuma incomodar o público: quanto mais partidas, maior a probabilidade de jogos com placares elásticos e baixo nível técnico nas fases iniciais. O atual formato de 48 equipes já recebeu críticas nesse sentido. Levar isso a 64 pode transformar parte da fase de grupos em uma peneira longa, com pouca emoção para o espectador neutro.
Prazo e próximos passos
Não há data confirmada para uma decisão final. A sinalização de Infantino é de que os comitês da FIFA analisarão o tema nos meses seguintes à Copa de 2026, o que pode levar a uma definição ainda em 2026 ou ao longo de 2027. O torneio de 2030 também já tem questões próprias a resolver — inclusive a definição de quais países sediarão as partidas comemorativas, já que diferentes partidas do centenário devem ser distribuídas por mais de um continente.
Para o torcedor brasileiro, a notícia é menos sobre mudança imediata e mais sobre o tipo de Campeonato que vem pela frente. Se a ampliação se confirmar, a Seleção Brasileira seguirá entre as favoritas em qualquer cenário — mas o caminho até a fase final ficará ainda mais longo, com mais seleções no caminho e um torneio que tende a se parecer menos com uma copa tradicional e mais com um megaevento distribuído ao longo de quase um mês.
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