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BYD vende 3.200 híbridos plug-in em Portugal em 2 anos

BYD vende 3.200 híbridos plug-in em Portugal em 2 anos

Preços competitivos e modelos eletrificados da gigante chinesa atraem consumidores e pressionam montadoras tradicionais.

A BYD ultrapassou a marca de 3.200 unidades vendidas de veículos Super Híbridos Plug-In em Portugal — um número que merece atenção porque mostra como a tecnologia DM-i, que combina motor a combustão com elétrico e recarga externa, vem ganhando espaço no mercado europeu em ritmo acelerado. O feito aconteceu pouco mais de dois anos depois da marca chinesa introduzir essa motorização no país.

De onde veio esse crescimento?

O ponto de virada foi julho de 2024, quando a BYD lançou o SEAL U DM-i em Portugal. Foi o primeiro modelo híbrido plug-in da marca no mercado português. A partir dali, a oferta foi se expandindo e a procura por esse tipo de motorização foi acompanhando a tendência mais ampla de eletrificação que já dominava a Europa.

Para quem está de fora do setor automotivo, vale explicar: um Super Híbrido Plug-In (ou PHEV, na sigla em inglês) é um carro que pode rodar alguns quilômetros só com a bateria, recarregada em tomada, e que também tem motor a combustão para rodar distâncias maiores sem depender de pontos de recarga. É uma proposta intermediária entre o carro elétrico puro e o tradicional a gasolina ou diesel.

A linha atual da BYD em Portugal

Hoje, a família Super Híbrida Plug-In da BYD no mercado português é formada por quatro modelos:

  • SEAL U DM-i — o SUV que abriu a porteira em 2024.
  • SEAL 6 DM-i — disponível nas versões Sedan e Touring (perua).
  • ATTO 2 DM-i — o SUV compacto.
  • DOLPHIN G DM-i — a versão híbrida plug-in do hatch Dolphin.

Ou seja, a marca deixou de oferecer só um modelo de teste e passou a cobrir praticamente todos os segmentos populares: SUV grande, sedã, perua, SUV compacto e hatch.

Quanto cada modelo roda sem gasolina?

Esse é o ponto que mais interessa a quem pensa em comprar um PHEV: a autonomia elétrica no dia a dia. Quanto maior ela for, menos vezes você precisa ligar o motor a combustão na rotina urbana.

O SEAL U DM-i entrega até 125 km de autonomia elétrica e uma autonomia combinada que pode chegar a 1.125 km, considerando o tanque cheio e a bateria carregada. Para muita gente que mora em cidade e roda menos de 100 km por dia, isso significa passar dias ou até semanas sem usar uma gota de gasolina.

O SEAL 6 DM-i, por sua vez, aposta em números ainda mais generosos: 1.455 km de autonomia combinada — um valor que rivaliza com carros a diesel famosos pela autonomia. Em modo puramente elétrico, a versão Sedan faz até 105 km, enquanto a Touring chega a 100 km.

Já o ATTO 2 DM-i, pensado para quem quer um SUV compacto e econômico, oferece até 90 km em modo elétrico e autonomia total de até 1.000 km. A marca anuncia consumo combinado ponderado de 1,8 l/100 km — número que só faz sentido com a bateria carregada, já que em modo híbrido convencional o consumo sobe bastante.

O que isso muda na prática para o consumidor?

Primeiro, mostra que a eletrificação no Brasil e no mundo está acontecendo em camadas. Nem todo mundo está pronto (ou quer) um elétrico puro — seja por falta de garagem com tomada, seja pela ansiedade com autonomia em viagens longas. Os híbridos plug-in aparecem como uma porta de entrada: você carrega em casa, roda no elétrico no dia a dia e usa o motor a combustão quando precisa viajar sem se preocupar com infraestrutura de recarga.

Segundo, o ritmo de vendas da BYD em Portugal sugere que a tecnologia DM-i está caindo no gosto do consumidor europeu — um público historicamente mais conservador do que o brasileiro quando o assunto é carro chinês. Se o mercado local respondeu bem a partir de 2024, a tendência é que a marca amplie a oferta e talvez reduza preços, o que inevitavelmente pressiona a concorrência.

Terceiro, para quem está pesquisando seu próximo carro no Brasil, vale ficar de olho nessa tecnologia. Modelos como o BYD King, Song Plus DM-i e outros já são vendidos por aqui com a mesma proposta. Os números de autonomia combinados que a BYD divulga em Portugal (acima de 1.000 km) servem como referência do que a marca promete entregar onde quer que esteja.

Pontos de atenção antes de comprar um PHEV

Apesar dos números chamativos, é preciso ter clareza sobre como esses carros se comportam fora das fichas técnicas. A autonomia elétrica de 100, 125 ou 90 km é medida em condições ideais — geralmente em ciclo urbano e com bateria cheia. No mundo real, com ar-condicionado ligado, subidas, trânsito pesado e velocidade de estrada, esses valores caem entre 20% e 40%.

O consumo combinado de 1,8 l/100 km do ATTO 2 DM-i, por exemplo, depende de você rodar boa parte do tempo no modo elétrico. Se a bateria acabar e o motor a combustão assumir sozinho, o consumo se aproxima do de um carro convencional. Por isso, o PHEV faz mais sentido para quem tem onde recarregar — em casa, no trabalho ou em pontos públicos — e usa o carro majoritariamente na cidade.

De qualquer forma, a marca de 3.200 vendas em pouco mais de dois anos em Portugal indica que o consumidor está entendendo a proposta. Resta ver se os números se sustentam à medida que a linha cresce e a concorrência também acelera.

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Jornalista

Mariana Silva

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