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Bruno Gagliasso revive Honestino, ativista da Ditadura, no cinema

Bruno Gagliasso revive Honestino, ativista da Ditadura, no cinema

Filme nacional estreia em novembro prometendo emocionar ao resgatar história de jovem ceifado pelo regime militar

O documentário Honestino chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 13, com uma proposta que vai além de reconstituir a trajetória de um personagem histórico: o filme quer devolver ao debate público a memória de Honestino Guimarães, estudante e militante político morto durante a Ditadura Militar. Para amplificar o alcance da obra, o diretor Aurélio Michiles convidou o ator Bruno Gagliasso para interpretar o ativista em breves segmentos encenados — uma escolha que, segundo o próprio ator, transformou o projeto em algo "impossível de recusar".

Quem foi Honestino Guimarães e por que ele importa agora

Em 1973, Honestino sequer havia completado três décadas de vida quando foi sequestrado e assassinado por agentes da Ditadura. Deixou uma filha de três anos e uma rede de pessoas que mantiveram viva sua memória — entre elas, o próprio Aurélio Michiles, que o conheceu após uma reunião clandestina décadas atrás. "O Gui, como o chamo, é uma lembrança muito calorosa e afetiva. Não o imagino como militante ou herói, mas como o amigo", contou o cineasta em entrevista à VEJA.

A tragédia só foi oficialmente reconhecida como crime político décadas depois. Em Brasília, uma ponte recebeu seu nome. Mesmo assim, o próprio Bruno Gagliasso admitiu que não conhecia a história antes do convite — e acredita que o mesmo acontece com grande parte da população. É exatamente esse apagamento que o documentário pretende combater.

Por que Bruno Gagliasso aceitou o papel

A escalação de um dos atores mais populares do país para interpretar um personagem histórico pouco conhecido não foi acidental. Michiles queria um rosto capaz de levar Honestino a um público que talvez nunca tivesse ouvido falar dele. Gagliasso, por sua vez, enxergou no convite uma oportunidade de "estar do lado certo da história" — em referência direta ao fato de ter interpretado um torturador no filme Marighella.

"Honestino é o tipo de convite impossível de se recusar, principalmente porque acredito em tudo que ele acreditava. Ele lutava por democracia e liberdade há 50 anos. Defendemos esses valores até hoje", afirmou o ator. Ele também reconheceu, com franqueza, a importância prática de seu rosto no cartaz: "Se Honestino pode ser pop, por que não? É preciso que seja. Os jovens têm de conhecê-lo e espalhar sua mensagem."

O debate sobre "cansaço" de filmes de Ditadura

Honestino entra no circuito ao lado de uma safra recente que revisita o período: Marighella, Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto. Parte do público tem reclamado de repetição temática — uma crítica que Gagliasso classificou como "pequena e boba".

A justificativa do ator é direta: quem faz esse tipo de comentário provavelmente desconhece a quantidade e a diversidade da produção cinematográfica brasileira. "Basta pesquisar no Google para ver a quantidade e a diversidade da nossa produção. Pelo contrário, acho que deveríamos ter mais filmes sobre a Ditadura", disse. Para ele, falar sobre o tema é um ato de reconhecimento histórico e, em certa medida, de reparação.

O que isso muda na prática para quem vai ao cinema?

Se você está em dúvida sobre assistir ao documentário, vale considerar três pontos. Primeiro, trata-se de uma produção com dramatização — ou seja, não é apenas um registro de entrevistas ou imagens de arquivo. Segundo, o filme nasce de uma relação pessoal do diretor com o personagem, o que costuma conferir densidade emocional a esse tipo de obra. Terceiro, o próprio elenco reconhece que a função do trabalho é pedagógica: apresentar Honestino a quem nunca ouviu o nome e devolver ao debate público um capítulo que muitos prefeririam esquecer.

Para o contexto mais amplo, a chegada de Honestino aos cinemas reforça um movimento que vinha ganhando força desde o sucesso internacional de Ainda Estou Aqui: o de usar o cinema como ferramenta de memória e de questionamento político. Em um cenário em que elogios à Ditadura voltam a aparecer com frequência no debate público — conforme o próprio documentário aponta —, esse tipo de obra funciona como contraponto direto. Não se trata apenas de entretenimento, mas de registro e de disputa narrativa sobre o passado brasileiro.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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