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Samsung lucra R$ 318 bi com chips de IA e eletrônicos encarecem

Samsung lucra R$ 318 bi com chips de IA e eletrônicos encarecem

Consumidor deve se planejar: smartphones e TVs seguem mais caros com o avanço da inteligência artificial.

A Samsung fechou o segundo trimestre de 2026 com um lucro operacional de 89,5 trilhões de wons (cerca de R$ 318,9 bilhões), número que veio acima das projeções do mercado e que foi puxado principalmente pela venda de chips de memória voltados para servidores de inteligência artificial. É a divisão de memória da empresa — que fabrica DRAM e NAND — que bateu recorde histórico de faturamento no período.

Os números do trimestre

A receita da gigante sul-coreana ficou em 171,5 trilhões de wons (R$ 611,1 bilhões), um pouco abaixo da estimativa de 172,6 trilhões de wons (R$ 615,2 bilhões) compilada pela LSEG SmartEstimates. Já o lucro superou a previsão, que era de 88,1 trilhões de wons (R$ 314 bilhões).

Na bolsa de Seul, as ações da Samsung subiram cerca de 1,6% na manhã desta quinta-feira (30), reagindo ao balanço. A empresa já havia divulgado uma projeção preliminar no começo de julho, e os números finais vieram alinhados com aquele guidance.

Por que os chips de memória para IA vendem tanto agora?

O apetite por memória de alta performance disparou porque os modelos de IA generativa e os grandes data centers precisam armazenar e processar volumes enormes de dados em altíssima velocidade. É aí que entram os chips DRAM e NAND da Samsung: eles equipam os servidores que rodam modelos como os da OpenAI, Google, Anthropic, Meta e os próprios serviços de IA das grandes nuvens (AWS, Azure, Google Cloud).

Como cada servidor de IA consome muito mais memória do que um servidor tradicional, a demanda explodiu — e os preços também. Esse cenário explica por que a Samsung viu o lucro operacional crescer 1.814% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, e a receita avançar 130% na mesma comparação.

O que isso muda na prática?

Para o consumidor brasileiro, o efeito mais imediato não é o lucro bilionário da Samsung, mas a pressão que esse ciclo de alta coloca sobre produtos do dia a dia. Memória DRAM e NAND são componentes usados em smartphones, notebooks, SSDs, consoles e praticamente qualquer eletrônico com armazenamento. Quando a oferta global fica concentrada em servidores de IA, sobra menos chip para o mercado tradicional — e os preços sobem.

Na prática, isso significa que notebooks, SSDs, celulares e até consoles podem ficar mais caros ou demorar mais para cair de preço. Fabricantes como Dell, Lenovo, HP e até a Apple sentirão o custo maior da memória e podem repassar parte disso ao consumidor final nos lançamentos do segundo semestre.

Samsung diz que o crescimento continua

A empresa informou que, na comparação com o primeiro trimestre de 2026, o lucro subiu mais de 56% e a receita cresceu acima de 28%. Para o segundo semestre, a Samsung projeta que a demanda por servidores de IA seguirá forte, sustentando o ritmo da divisão de memória.

Esse é um sinal importante para quem acompanha o mercado de tecnologia: enquanto gigantes como NVIDIA dominam o lado dos chips de processamento (GPU), a Samsung lidera o segmento de memória, que é tão essencial quanto para a infraestrutura de IA. Sem memória rápida e barata, nenhum servidor de IA funciona.

Se você está pensando em trocar de notebook, comprar um SSD grande ou esperar uma queda de preço em smartphones topo de linha, vale acompanhar de perto os próximos movimentos do mercado de memória. O ciclo de IA ainda está aquecido, e isso tende a manter a pressão sobre os preços até que a oferta volte a se equilibrar.

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Jornalista

Mariana Silva

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