O turismo em Portugal gerou 36,2 mil milhões de euros em 2025 e respondeu por 11,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo os dados da Conta Satélite do Turismo divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O setor contribuiu ainda com 0,3 pontos percentuais para o crescimento real da economia, reforçando o seu peso como uma das principais atividades da economia portuguesa.
Quanto o turismo realmente movimenta?
Para dimensionar o impacto, vale olhar para os números de forma separada. O contributo total — direto e indireto — do consumo turístico para o PIB foi de 11,8%, enquanto para o Valor Acrescentado Bruto (VAB), que mede quanto o setor efetivamente agrega de riqueza antes de descontar impostos e subsídios, o peso ficou em 11,4%, ou 30,4 mil milhões de euros.
Na prática, isso significa que quase um euro em cada oito que circula na economia portuguesa tem ligação com turistas, hospedagem, alimentação, transporte, cultura e comércio voltado a visitantes. É um volume comparável ao de setores inteiros da indústria em muitos países.
Crescimento nominal, mas desaceleração real
Em comparação com 2024, o PIB turístico e o VAB do turismo cresceram 5,3% e 5,5%, respetivamente, em termos nominais — ou seja, considerando o efeito dos preços. Os números mostram que o setor continua a faturar mais a cada ano.
No entanto, quando se isola o efeito da inflação e se analisa o crescimento real, o cenário é diferente. O INE destaca que o contributo do turismo para o crescimento real do PIB "tem vindo a diminuir" de forma consistente nos últimos anos.
A queda gradual do contributo real
Os números revelam uma desaceleração clara: em 2022, o turismo foi responsável por 3,6 pontos percentuais de uma variação em volume do PIB de 7,0%. No ano seguinte, em 2023, a contribuição caiu para 1,2 ponto percentual, num crescimento total de 3,1%. Já em 2024, o setor contribuiu com apenas 0,4 ponto percentual para um PIB que cresceu 2,2%. E em 2025, a participação real no crescimento recuou para 0,3 ponto percentual, com o PIB avançando 1,9%.
A leitura prática é que, mesmo com o turismo a faturar mais em euros correntes, o seu peso relativo no crescimento efetivo da economia está a encolher. Isto pode refletir uma maturação do setor, saturação em alguns destinos, ou simplesmente o facto de outras áreas da economia estarem a ganhar tração.
O que isso muda na prática?
Para quem trabalha em hotelaria, restauração, transporte ou comércio nas zonas turísticas de Portugal, os dados indicam que o setor continua robusto em termos absolutos, mas a sua capacidade de puxar o crescimento económico pelo turismo está a estabilizar. Empresas que dependem quase exclusivamente de turistas podem sentir uma pressão maior sobre margens e preços, já que a expansão real do mercado está a arrefecer.
Para o viajante brasileiro que visita Portugal, isso pode traduzir-se em maior concorrência por alojamento nas temporadas altas e alguma negociação de preços nas temporadas baixas, à medida que o setor procura manter taxas de ocupação.
Para o policymaker e para investidores, o recado é claro: o turismo já não pode ser visto como o motor isolado do crescimento português. A diversificação económica e o aumento da produtividade em outros setores ganham relevância para que o país não dependa excessivamente da flutuação de um único mercado.
Portugal recebe milhões de turistas todos os anos e o turismo continua a ser uma peça-chave da sua economia, com peso semelhante ao de setores inteiros em economias maiores. Mas a tendência dos últimos quatro anos sugere que o país entrou numa fase de estabilização: o setor cresce em valor, cresce menos em volume e exige cada vez mais diferenciação para manter a sua fatia no bolo económico.
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