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Lucro da Samsung salta 1.814% no 2º trimestre com chips de IA

Lucro da Samsung salta 1.814% no 2º trimestre com chips de IA

HBM, memória essencial em processadores da Nvidia, sustenta salto bilionário da gigante sul-coreana.

A Samsung fechou o segundo trimestre de 2026 com números que chamaram atenção: lucro operacional de 89,5 trilhões de wons (cerca de R$ 318,9 bilhões), acima da expectativa do mercado, puxado principalmente pela corrida por chips de memória voltados à inteligência artificial.

Por que a Samsung lucrou tanto agora?

O grande motor do resultado foi a divisão de memória da empresa — aquela que fabrica DRAM e NAND, os componentes que armazenam e processam dados em servidores, PCs, smartphones e data centers. Segundo a companhia, esse setor atingiu recorde histórico de vendas, sustentado pela demanda de servidores dedicados a IA, que precisam de muito mais memória do que máquinas tradicionais.

A receita total ficou em 171,5 trilhões de wons (R$ 611,1 bilhões), um pouco abaixo da projeção de 172,6 trilhões de wons, mas ainda assim suficiente para encerrar o trimestre com folga. No comparativo anual, o lucro operacional saltou 1.814% e a receita cresceu 130%, números que refletem tanto a recuperação do mercado de chips quanto o efeito direto do boom da inteligência artificial.

Depois do balanço, as ações da Samsung subiram cerca de 1,6% nas negociações da manhã desta quinta-feira (30) na bolsa da Coreia do Sul, sinal de que o mercado leu os números como positivos.

O que isso muda na prática?

Na ponta do consumidor, o impacto mais visível ainda não chegou com força, mas a tendência é clara: enquanto a demanda por memória para IA continuar crescendo, componentes como SSDs, módulos RAM e até mesmo armazenamento de celulares e notebooks podem se manter em patamares mais altos de preço. A memória é um recurso finito em termos de capacidade produtiva, e a indústria está redirecionando boa parte da fabricação para clientes corporativos — grandes provedores de nuvem e empresas que treinam modelos de linguagem.

Para quem está de olho em comprar um notebook gamer, um celular topo de linha ou atualizar o PC, isso significa que vale pesquisar bastante antes de fechar compra. Promoções pontuais em hardware com grande quantidade de memória tendem a ser mais raras em ciclos de alta como esse. Por outro lado, quem investe ou trabalha com tecnologia acompanha o movimento como termômetro: a Samsung é uma das maiores fabricantes mundiais de chips de memória, e o desempenho dela costuma antecipar o que esperar do setor nos meses seguintes.

A própria Samsung indicou que tanto o lucro quanto a receita vieram em linha com a projeção preliminar divulgada no início deste mês, e a expectativa é de continuidade do crescimento no segundo semestre. Ou seja: a empresa ainda enxerga espaço para expandir, mesmo com a receita tendo ficado levemente abaixo do consenso. O detalhe que sustenta essa confiança está justamente nos contratos com fabricantes de servidores de IA, que continuam comprando volumes recordes de DRAM de alta capacidade e NAND de altíssima densidade.

Também vale destacar o salto em relação ao trimestre anterior. Frente ao primeiro trimestre de 2026, o lucro subiu mais de 56% e a receita avançou acima de 28%, mostrando que não foi um pico isolado, mas uma curva consistente. Para a Samsung, isso confirma a estratégia de priorizar clientes do segmento de inteligência artificial, que pagam margens maiores e garantem contratos de longo prazo.

Em resumo, o balanço mostra que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa para a indústria de semicondutores e já se transformou no principal motor de faturamento. A corrida por chips de memória para treinar e rodar modelos generativos está redefinindo prioridades de fábricas inteiras — e o consumidor brasileiro, mesmo sem perceber, está dentro desse jogo toda vez que pesquisa o preço de um SSD ou de um celular novo.

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Jornalista

Mariana Silva

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