Em sabatina com veículos de imprensa nesta quinta-feira, o candidato do Missão afirma que sonha com nomes respeitados para a equipe econômica
O candidato à Presidência da República Renan Santos, do partido Missão, revelou nesta quinta-feira (27) que fez um convite formal ao economista Marcos Lisboa para assumir uma pasta ministerial caso vença as eleições em outubro. O anúncio foi feito durante uma sabatina organizada pela rádio CBN em parceria com os jornais Valor Econômico e O Globo. Além de Lisboa, o candidato citou o nome de Elena Landau como alguém com quem gostaria de trabalhar em sua equipe econômica.
À primeira vista, pode parecer apenas mais um movimento de campanha — candidato mostrando nomes fortes para ganhar credibilidade. Mas a escolha desses dois perfis revela algo mais profundo sobre a direção econômica que Renan Santos pretende imprimir ao país, caso chegue ao Palácio do Planalto.
Por que essa escolha importa?
Marcos Lisboa não é um nome qualquer do mercado financeiro. Trata-se de um economista com passagens relevantes tanto no setor público quanto no privado. Foi secretário de Política Econômica durante o primeiro mandato do presidente Lula (2003 a 2005), quando o Ministério da Fazenda era comandado por Antonio Palocci. Depois disso, ocupou cargos de alta gestão no Itaú Unibanco — foi diretor-executivo entre 2006 e 2009 e vice-presidente financeiro até 2013. Mais recentemente, presidiu o Insper, uma das escolas de economia e administração mais respeitadas do Brasil.
Ou seja, Lisboa já transitou pelos dois lados do balcão: conhece de perto a máquina pública e também os bastidores do sistema financeiro. Para um candidato que busca sinalizar seriedade econômica, ter alguém com esse perfil no time é uma forma de dizer: "minha equipe não será amadora".
A inclusão de Elena Landau reforça esse recado. Ela foi diretora de desestatização do BNDES entre 1993 e 1996, período em que o Brasil promoveu uma das maiores ondas de privatizações da sua história — envolvendo setores como siderurgia, energia elétrica, petroquímica e o início do processo de desestatização da Vale. Conhecida por defender abertamente agendas liberalizantes, Landau carrega consigo a marca de uma geração de economistas que atuou para reduzir o tamanho do Estado na economia.
O impacto real no dia a dia do cidadão
Você pode estar se perguntando: "Ok, mas o que isso muda na minha vida?" A resposta curta é: potencialmente, muito. As decisões tomadas pela equipe econômica de um governo influenciam diretamente coisas como o preço dos alimentos, a taxa de juros do financiamento imobiliário, o valor do dólar, o rendimento da poupança e até a facilidade — ou dificuldade — de conseguir crédito para abrir um negócio.
Quando um candidato reúne nomes com esse histórico ao redor da área econômica, ele está basicamente desenhando a bússola que guiará decisões como controle de inflação, política de juros, abertura comercial, privatizações e regulação de setores estratégicos. Isso pode significar mais ou menos intervenção estatal na economia, dependendo do perfil escolhido — e é por isso que cada nome conta.
O contexto por trás do convite
Existe um detalhe curioso nessa história que não passou despercebido pelos analistas: Marcos Lisboa já trabalhou com o atual presidente Lula, que disputa a reeleição. Isso significa que Renan Santos está buscando justamente um profissional com trânsito entre diferentes campos políticos — alguém que não é visto como "radical" de nenhum lado, mas sim como técnico respeitado. É uma estratégia comum em campanhas: mostrar que o time proposto tem capacidade técnica acima de disputas ideológicas.
Além disso, a presença de Elena Landau na lista sugere uma afinidade declarada com pautas liberalizantes. Privatizações, redução de participação estatal e maior abertura ao mercado são bandeiras historicamente associadas a ela. Se Renan Santos de fato montar uma equipe com esse perfil, o caminho indica uma gestão mais favorável ao setor privado e menos dependente de empresas estatais — o que tem implicações diretas sobre desde preços de combustível até tarifas de energia.
O que isso muda na prática?
Na prática, esse tipo de anúncio funciona como um sinal para o mercado financeiro e para o eleitorado. Investidores e analistas costumam reagir a nomes ministeriais mesmo antes da posse — a expectativa sobre quem comandará a Fazenda, por exemplo, pode mexer com o dólar e com a bolsa no dia seguinte. Para o cidadão comum, vale prestar atenção: o time econômico de um futuro governo não é detalhe técnico restrito a economistas — é o grupo que definirá as regras do jogo para empregos, preços, investimentos e crescimento nos próximos anos.
Fique de olho em como esses nomes serão confirmados (ou substituídos) ao longo da campanha. A composição final do ministério é um dos termômetros mais confiáveis para entender o que cada candidato pretende, de fato, fazer pelo — ou contra o — seu bolso.
Resumo rápido: O candidato Renan Santos convidou o economista Marcos Lisboa — ex-secretário de Política Econômica no governo Lula e ex-dirigente do Itaú Unibanco — e também citou Elena Landau (ex-BNDES) para compor sua equipe econômica, sinalizando uma gestão com perfil técnico e viés liberal caso vença a eleição.
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