O que preocupa ex-executivos de PlayStation e Xbox nos novos consoles
O preço, a falta de novos softwares e a lei dos rendimentos decrescentes criam um contexto muito negativo para o lançamento do PS6 ou do Xbox Helix
Dois nomes com décadas de experiência por trás das maiores marcas de videogame estão fazendo um alerta nada animador sobre o futuro dos consoles. Shawn Layden, ex-chefe da PlayStation Studios, e Peter Moore, ex-vice-presidente executivo do Xbox, concordam que a próxima geração de hardware — o possível PlayStation 6 e o Project Helix da Microsoft — chega ao mercado em um cenário pouco favorável, marcado por preços elevados, escassez de novidades tecnológicas relevantes e softwares cada vez mais parecidos entre si.
Por que isso importa? Porque não se trata de opinião de qualquer um. Layden e Moore estiveram no centro das decisões estratégicas que moldaram os consoles como conhecemos hoje. Quando pessoas com esse histórico dizem que o cenário é preocupante, vale ouvir, especialmente para quem está pensando em comprar um videogame nos próximos anos ou já investiu pesado no ecossistema atual.
No dia a dia, o impacto é direto no bolso do consumidor. Layden estima que um console de nova geração possa chegar a US$ 1.000 — o equivalente a cerca de R$ 5.500 na cotação atual — e questiona a lógica de pagar esse valor em um hardware que estrearia com apenas seis a doze jogos prontos. Para o jogador brasileiro, que já convive com preços dolarizados e impostos altos, esse cenário significa pensar muito antes de trocar de geração. A tentação de migrar para o PC, como lembrou Moore, fica cada vez mais real quando o custo-benefício dos consoles deixa de compensar.
Outro ponto levantado pelos dois executivos é a chamada lei dos rendimentos decrescentes: a diferença entre a geração atual e a próxima de consoles não é tão gritante quanto foi, por exemplo, a transição do PlayStation 2 para o 3, que trouxe os jogos em três dimensões de verdade. Mais ray tracing e mais quadros por segundo são melhorias reais, mas cada vez menos perceptíveis para o jogador comum. Pior ainda é a falta de exclusividades que justifiquem a troca imediata — sem aquele "jogo matador" que faça o consumidor abrir a carteira sem pensar.
Moore ainda foi além ao sugerir que estamos perto de um ponto de virada: em algum momento, o console dedicado pode simplesmente deixar de existir, substituído por chips integrados às próprias televisões, com jogos rodando na nuvem no estilo Netflix. É uma visão futurista, mas que ganha força à medida que serviços como Xbox Cloud Gaming e GeForce Now amadurecem e mostram que a tendência do mercado é justamente dispensar hardware caro em favor de acesso por assinatura.
Para quem está pensando em comprar um console agora, a orientação prática é: avaliar com calma se vale a pena entrar na geração atual (PS5 ou Xbox Series X) ou esperar para ver como a próxima geração chega ao Brasil — se é que chega da mesma forma. Para os que já têm um console e jogam satisfeitos, talvez não haja pressa nenhuma em atualizar. E para quem joga no PC, vale lembrar que essa tendência toda só reforça o quanto o computador segue sendo o terreno mais seguro para quem quer longevidade e flexibilidade. O mercado de games está mudando, e a mensagem desses veteranos é clara: o consumidor é quem deve pressionar as marcas a oferecerem mais por menos.
O que isso muda na prática?
Se você é gamer ou pensa em entrar no mundo dos videogames nos próximos anos, três coisas mudam a partir desse cenário: primeiro, espere preços mais altos na próxima geração e avalie bem se o custo compensa em relação ao seu console atual; segundo, considere que o PC tende a se tornar uma alternativa ainda mais atrativa, já que elimina a necessidade de trocar de hardware a cada ciclo; terceiro, fique de olho em serviços de jogos na nuvem, que podem ser o caminho mais barato para acessar games de ponta sem investir em um console de mil dólares.
Resumo rápido: Ex-líderes da Sony e da Microsoft alertam que os próximos consoles podem chegar ao mercado a preços proibitivos, com poucos jogos e melhorias técnicas cada vez menos perceptíveis, o que pode afugentar consumidores e até antecipar o fim do console tradicional.
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