Onimusha: 20 anos depois, clássico samurai ganha nova chance
Retorno da série de samurais entrega combates sofisticados, gráficos impressionantes e uma localização brasileira que merece destaque
A Capcom aproveitou 2026 para fazer algo raro: em vez de apostar tudo em uma única franquia, espalhou seus lançamentos e acertou em cheio nos três. Depois do estrago positivo que Resident Evil: Requiem causou no início do ano — mais de 8 milhões de cópias vendidas — e da surpresa bem recebida que foi Pragmata, agora é a vez de Onimusha: Way of the Sword assumir o holofote. E não se trata de um relançamento preguiçoso: é um capítulo inédito de uma série que estava parada há mais de duas décadas.
O retorno importa porque Onimusha nunca teve o reconhecimento merecido fora do Japão. Quem jogou Onimusha 3: Demon Siege, no PlayStation 2, lembra do impacto de controlar um personagem com o rosto de Jean Reno em meio a samurais e demônios. Foi um daqueles jogos que marcaram uma geração no Brasil, mas que muita gente achou que nunca mais veria sequência. A Capcom, portanto, não está apenas vendendo nostalgia — está reapresentando uma franquia para quem nunca teve a chance de jogar e resgatando a memória afetiva de quem cresceu nessa era.
No dia a dia, isso significa que o jogador brasileiro finalmente recebe um título do gênero com localização brasileira de verdade, não apenas legendas improvisadas. Em franquias japonesas voltadas ao público ocidental, isso ainda é exceção. A descrição oficial destaca justamente esse ponto, e quem joga sabe a diferença que faz entender nuances de história, nomes próprios e referências culturais sem depender de tradução automática. Para quem consome games há anos, é um alívio; para quem está começando agora, é a porta de entrada ideal para um estilo de jogo que mistura ação, mitologia e estratégia.
Outro detalhe curioso é a escolha do protagonista: Miyamoto Musashi, o lendário espadachim que realmente existiu no Japão do século XVII e virou ícone da cultura pop mundial, principalmente graças aos filmes protagonizados por Toshiro Mifune, astro frequente dos trabalhos de Akira Kurosawa. O jogo recriou digitalmente o rosto do ator — falecido em 1997 — como homenagem, repetindo um hábito antigo da franquia de usar celebridades como modelo para heróis. É uma costura interessante entre videogame, cinema e história que pouca indústria consegue fazer com tanta naturalidade.
A jogabilidade, pelo que se vê até agora, mantém a alma dos originais: combates de espada contra criaturas do folclore japonês, onde cada duelo funciona quase como um quebra-cabeça, exigindo leitura dos padrões inimigos e uso inteligente dos poderes mágicos concedidos ao herói. A presença de uma versão ficcional de Sasaki Ganryu, rival histórico de Musashi, reforça o cuidado em transformar a narrativa em algo mais do que um simples "mate todos os demônios".
Se você é do tipo que largou os videogames há anos e está olhando com curiosidade para o mercado atual, vale considerar este como um bom motivo para voltar. A curva de aprendizado não é tão íngreme quanto os soulslikes, mas a recompensa de dominar um combate bem desenhado é igualmente satisfatória. E se você nunca jogou nada da série, esta é uma chance rara de entrar em uma franquia que parecia esquecida — e descobrir por que tanta gente guardou carinho por ela por tantos anos.
O que isso muda na prática?
Na prática, três coisas: primeiro, o público brasileiro ganha mais uma opção de jogo premium com suporte oficial em português, o que reduz a barreira de entrada e valoriza o mercado nacional. Segundo, a Capcom sinaliza que franquias "adormecidas" podem voltar com força quando há contexto histórico e cultural forte por trás — algo raro em um mercado obcecado por novidades. Por fim, abre espaço para que outros estúdios japoneses revisitem séries clássicas com o mesmo cuidado, em vez de apenas remasterizar gráficos. Para o consumidor, isso significa catálogo maior e melhor nos próximos anos.
Resumo rápido: A Capcom revive a série Onimusha após mais de 20 anos com Way of the Sword, trazendo combates de espada inspirados no folclore japonês, protagonista baseado no lendário Miyamoto Musashi com rosto do ator Toshiro Mifune, e localização brasileira completa — um retorno que conecta nostalgia dos jogadores do PlayStation 2 a uma nova geração de fãs.
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