Aos 46 anos, ator é o convidado do programa semanal da coluna GENTE
Marcos Veras, de 46 anos, comentou sobre o limite (ou a falta dele) que alguns humoristas ainda tentam impor ao público quando o assunto envolve estereótipos e ofensas — especialmente em piadas que miram grupos historicamente marginalizados. Em participação no programa semanal da coluna GENTE, ele defendeu que “poder falar o que quiser” não é o mesmo que fazer humor com responsabilidade.
Na prática, a discussão passa por uma virada cultural: por um tempo, pareceu que “liberdade total” significava poder debochar de qualquer tema. Para Veras, porém, esse raciocínio costuma confundir liberdade de expressão com a ideia de que nada deve ter limite quando a piada é inconveniente para quem é atingido.
Esse tipo de posicionamento importa porque o humor está no nosso dia a dia — no WhatsApp, nas redes sociais, em programas de TV e até em ambientes profissionais. Quando piadas normalizam preconceitos, o problema não fica só “na frase”: ele reforça atitudes, amplia constrangimentos e dificulta que outras pessoas se sintam respeitadas no cotidiano.
Ao mesmo tempo, a fala do ator não é um ataque ao humor em si. Pelo contrário: ele sugere que o gênero continua sendo “rico” e “flexível” e que existem caminhos criativos para criticar a sociedade (inclusive política) sem recorrer a piadas que tratam alguém como alvo por raça, orientação sexual ou outras características.
O ponto final, com uma interpretação leve, é simples: liberdade de humor não precisa valer como “passaporte” para ferir. Dá para fazer graça com temas relevantes sem transformar grupos inteiros em piada.
O que isso muda na prática?
Para o leitor, a mudança é direta: antes de compartilhar ou curtir uma piada, vale perguntar se ela está “construindo risos” ou se está apenas repetindo preconceito. Se a graça depende de rebaixar alguém por identidade (ou por algo que “mata” ou “está errado”, na forma como ele mencionou), a chance é alta de que o conteúdo, mesmo pretendendo ser leve, acabe alimentando hostilidade — e não conversa.
Resumo rápido: Marcos Veras defende que humor pode e deve criticar assuntos como política, mas sem usar piadas que reforcem racismo, homofobia e outros preconceitos.
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