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o leilão de 267 mil hectares da Amazônia por 35 anos

o leilão de 267 mil hectares da Amazônia por 35 anos

Duas empresas venceram três unidades de manejo em área próxima à BR-319; projeto prevê R$ 2 bilhões em investimentos

Imagine um território do tamanho de uma cidade média — quase 2.700 quilômetros quadrados de floresta nativa — sendo entregue à iniciativa privada por mais de três décadas. Foi isso que aconteceu nesta quinta-feira (27), quando o governo federal leiloou três unidades de manejo florestal dentro da Floresta Nacional (Flona) de Balata-Tufari, no sul do Amazonas, em um dos certames ambientais mais relevantes do ano. Duas empresas do setor madeireiro saíram vencedoras e assumem, a partir de agora, a responsabilidade de explorar madeira de forma "sustentável" nessas áreas por 35 anos.

Esse tipo de concessão funciona, na prática, como um aluguel de longo prazo com regras ambientais rígidas: em vez de desmatar a área, as empresas precisam manejar a floresta de forma controlada, retirando apenas árvores autorizadas e mantendo o restante intacto. A Flona de Balata-Tufari fica próxima à BR-319 — a rodovia federal que liga Manaus a Porto Velho e que, há anos, está no centro de debates sobre desmatamento e expansão econômica na Amazônia.

No dia a dia, quem mora na região sentirá os efeitos de diferentes formas. Por um lado, há a promessa de geração de empregos locais e movimentação econômica em municípios como Canutama, que depende fortemente de atividades ligadas à floresta. Por outro, há a preocupação legítima de que concessões madeireiras em áreas sensíveis podem abrir caminho para grilagem, queimadas ilegais e avanço do desmatamento se a fiscalização não for eficiente.

Para dimensionar: estamos falando de R$ 2 bilhões em investimentos previstos ao longo de 35 anos — sendo mais de R$ 300 milhões só em infraestrutura e R$ 1,78 bilhão em operações de manejo. As outorgas fixas pagas pelas duas empresas somam R$ 19 milhões. Em comparação, o desmatamento ilegal na Amazônia gera prejuízos bilionários anuais ao Brasil em perda de biodiversidade, emissões de carbono e queda na produtividade agrícola. A ideia do modelo de concessão é justamente transformar floresta em pé em negócio lucrativo — tirando a vantagem econômica de desmatar.

A grande questão que fica é: esse modelo realmente funciona? Estudos mostram que concessões florestais bem fiscalizadas podem reduzir o desmatamento em até 80% nas áreas concedidas, mas o histórico brasileiro também registra contratos mal monitorados e resultados aquém do esperado. Quem venceu o leilão — B2 Comércio e Exportação de Madeiras e Madeirantes Serviços — agora carrega não apenas um passivo legal, mas uma responsabilidade ambiental que será acompanhada de perto por órgãos federais, ONGs e pela sociedade nos próximos anos.

O que isso muda na prática?

Na prática, essa concessão significa que uma área enorme de floresta amazônica deixa de ser "terra de ninguém" e passa a ter um responsável legal — com CNPJ e contrato — por sua gestão. Para o consumidor brasileiro, o impacto pode parecer distante, mas a Floresta Amazônica está ligada ao regime de chuvas que afeta direto a agricultura no Centro-Sul do país, à segurança hídrica de cidades como São Paulo e até ao preço de alimentos na mesa. Ou seja: o que acontece em Balata-Tufari não fica na Balata-Tufari.

Resumo rápido: O governo federal leiloou três unidades de manejo na Flona de Balata-Tufari (AM), concedendo 266,9 mil hectares de floresta amazônica a duas empresas por 35 anos, com previsão de R$ 2 bilhões em investimentos e foco em manejo florestal sustentável.

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