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O impasse que a Europa precisa resolver sobre a Ucrânia

O impasse que a Europa precisa resolver sobre a Ucrânia

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O impasse que a Europa precisa resolver sobre a Ucrânia

O professor de Relações Internacionais da Universidade de Lisboa, Bernardo Valente considera que a Europa tem de aproveitar a queda económica russa, para fazer mais pressão.

A próxima reunião da chamada "Coligação das Vontades" — grupo de países europeus que apoia a Ucrânia — vai colocar na mesa dois temas centrais: um novo pacote de sanções contra a Rússia e a produção europeia de baterias antiaéreas. A análise é do professor Bernardo Valente, da Universidade de Lisboa, numa edição do programa "Gabinete de Guerra" na Rádio Observador.

Por que isso importa? Porque a guerra na Ucrânia deixou de ser apenas um conflito militar entre dois países. Hoje ela está ligada ao preço da gasolina, à segurança energética da Europa, à política interna da Ucrânia e até ao conflito entre Estados Unidos e Irã. Tudo isso se conecta, e as decisões tomadas nesta semana podem influenciar diretamente a vida de milhões de pessoas — incluindo brasileiros que sentem os efeitos da instabilidade global nos preços de combustíveis e alimentos.

Para entender o cenário, é preciso olhar para três frentes abertas ao mesmo tempo:

1. A crise interna na Ucrânia — O ex-ministro da Defesa Fedorov tem desafiado publicamente o presidente Zelensky. Em apenas uma semana, deu entrevista à CBS nos Estados Unidos, publicou um vídeo com tom de campanha eleitoral e anunciou que pretende viajar a Washington. Há protestos nas ruas pedindo seu retorno ao governo. Essa fragmentação política preocupa os aliados europeus, porque enfraquece a imagem de unidade da Ucrânia diante da Rússia.

2. A pressão económica sobre a Rússia — O país enfrenta escassez de combustível em algumas regiões, como a Crimeia. A qualidade da gasolina e do gasóleo baixou. Bancos russos registam aumento de crédito malparado (empréstimos que não são pagos). Há denúncias de alistamento forçado no exército. Ao mesmo tempo, o único partido declaradamente contra a guerra, o Yabloko, foi impedido de participar nas eleições parlamentares. O governo de Putin está sob tensão, mas mantém o controlo.

3. A corrida por defesa aérea — As baterias Patriot, os mísseis mais eficazes contra mísseis balísticos, estão a ser usadas em excesso para defender as monarquias do Golfo Pérsico no conflito com o Irã. Isso deixa a Ucrânia com menos proteção antiaérea. Como solução, a União Europeia quer avançar com o projeto Freya, um sistema europeu de defesa aérea. Enquanto isso não fica pronto, os ucranianos continuam vulneráveis.

O ponto-chave da análise de Valente é este: a Europa já aplicou 21 pacotes de sanções e agora discute o 22.º. Essas medidas estão a começar a mostrar resultados concretos na economia russa. A questão é se os países europeus vão conseguir manter a unidade — porque países como Hungria, Eslováquia, Alemanha, Grécia e até Portugal já bloquearam ou dificultaram decisões em momentos anteriores.

Para o leitor comum, mesmo fora da Europa, esse cenário traduz-se em instabilidade nos mercados de energia, pressão sobre o preço do petróleo e maior risco de crises em cadeias de fornecimento globais. Quando a Rússia tem dificuldade em refinar combustível, isso afeta toda a cadeia — do gasóleo que chega à Europa ao preço dos fertilizantes, que pesa diretamente no custo dos alimentos no Brasil.

A mensagem de fundo é clara: a guerra na Ucrânia entrou numa fase em que o resultado vai depender tanto de decisões económicas e políticas quanto do que acontece no campo de batalha. E a Europa precisa decidir, em uníssono, até onde está disposta a ir.

O que isso muda na prática?

Se a União Europeia aprovar o 22.º pacote de sanções e avançar com o projeto Freya de baterias antiaéreas, isso significa mais pressão financeira sobre a Rússia e mais capacidade de defesa para a Ucrânia. Para o resto do mundo, o efeito é indireto: possíveis oscilações no preço do petróleo, maior volatilidade nos mercados e impacto em produtos que dependem de energia ou matérias-primas russas. Acompanhar essas decisões ajuda a antecipar tendências económicas que chegam ao bolso do consumidor.

Resumo rápido: A Europa discute um novo pacote de sanções contra a Rússia e o desenvolvimento de baterias antiaéreas próprias, enquanto a Ucrânia vive uma crise política interna com o ex-ministro da Defesa a desafiar Zelensky, num momento em que a Rússia enfrenta pressões económicas crescentes.

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