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Brasileirão adota sistema de impedimento sem chip na bola

Brasileirão adota sistema de impedimento sem chip na bola

Inteligência artificial e câmeras analisam jogadas em segundos para reduzir polêmicas em campo

A Tecnologia do Impedimento Semiautomático (SOAT, na sigla em inglês) chegou ao Campeonato Brasileiro na 20ª rodada da Série A e, logo na estreia, gerou polêmica — inclusive com críticas vindas da diretoria do Flamengo. O objetivo é o mesmo do sistema que a Fifa usa na Copa do Mundo de 2026: tornar as decisões de impedimento mais rápidas e precisas. Mas, na prática, o modelo adotado pela CBF funciona de um jeito bem diferente do que o torcedor viu no Mundial.

O ponto-chave: como o sistema "enxerga" o momento do passe

A diferença mais importante está em como a tecnologia identifica o instante exato em que a bola sai do pé do jogador que deu o passe. Parece detalhe técnico, mas é justamente isso que determina se um atacante estava ou não impedido no momento da assistência.

Na Copa do Mundo, a Fifa utilizou uma bola com chip eletrônico embarcado. Esse sensor é capaz de detectar, com precisão milimétrica, o momento em que o jogador encosta na bola. Essa informação era cruzada com imagens de 16 câmeras instaladas no estádio, que monitoravam bola e atletas captando até 29 pontos de dados por jogador, 50 vezes por segundo. O resultado era uma animação tridimensional detalhada, com margem de erro mínima.

No Brasileirão, o sistema foi fornecido pela Genius Sports e dispensou o chip da bola. Em vez do sensor, entram em ação entre 28 e 32 câmeras — o número varia conforme a infraestrutura de cada estádio — que filmam em 4K e registram até 100 quadros por segundo. A ideia é que o volume maior de imagens compense a ausência do sensor, permitindo identificar automaticamente o instante em que a bola deixa o pé do jogador.

Qual tecnologia é mais confiável?

Não existe resposta simples. A abordagem da Fifa, com chip na bola, é considerada a mais precisa porque elimina a "interpretação" do momento do passe — o sensor registra o contato de forma literal. Já o sistema do Brasileirão depende exclusivamente de câmeras, que precisam reconstruir o lance a partir de imagens, mesmo sendo de altíssima resolução.

Na prática, os dois métodos tendem a chegar a conclusões semelhantes na maioria dos lances. A diferença aparece nas situações milimétricas, em que frações de segundo podem mudar um gol de válido para anulado — justamente os lances que mais geram reclamação de torcedor e discussão em transmissões.

Mesmo sistema da Premier League

A tecnologia adotada pela CBF não é exclusiva do futebol brasileiro. O mesmo sistema da Genius Sports já é utilizado na Premier League, na Inglaterra, onde entrou em operação em abril de 2025, após período de testes em parceria com o PGMOL, órgão responsável pela arbitragem no país.

Isso significa que o Brasileirão está alinhado com uma das ligas mais ricas e tecnicamente avançadas do mundo, embora use uma abordagem diferente da Fifa. Para o torcedor, vale saber que os critérios visuais podem mudar dependendo de onde o jogo é televisionado.

A polêmica da animação: o que aparece na tela

Outra diferença que chamou atenção dos torcedores foi a forma como os lances são exibidos nas transmissões. Na Copa do Mundo, a Fifa apresentava uma reconstrução tridimensional completa, com o momento exato do passe destacado por um gráfico gerado pelo chip da bola — um recurso visual que ajudava o espectador a entender rapidamente por que o gol foi ou não validado.

Na estreia do Brasileirão, a animação exibida mostrou apenas as linhas de impedimento e a posição dos atletas no instante do gol, sem destacar o momento do passe. Para muita gente, faltou informação — ou sobrou dúvida. Após as críticas, a CBF sinalizou que deve ajustar a visualização, incluindo uma imagem aberta que mostre tanto o jogador que toca na bola quanto o recebedor da assistência.

Esse ajuste é relevante porque a comunicação visual faz parte da tecnologia. Um sistema pode ser tecnicamente preciso, mas se o torcedor não entende o que está vendo na tela, a confiança no VAR diminui em vez de aumentar.

O que muda para o torcedor?

Para quem acompanha o Brasileirão pela TV ou pelo celular, as mudanças práticas são: decisões de impedimento mais rápidas, com menos tempo de espera; lanches decididos por imagens geradas automaticamente, sem intervenção humana no rastreamento da bola; e, ao menos por enquanto, animações mais simples do que as vistas na Copa, enquanto a CBF ajusta o sistema de exibição.

Vale lembrar que a tecnologia é semiautomática — o nome não é à toa. O sistema identifica o provável impedimento e alerta o árbitro, mas a decisão final continua sendo humana. A máquina não invalida gols por conta própria. O que ela faz é eliminar o trabalho manual de traçar linhas manualmente, algo que historicamente gerava erros e atrasos.

Nos próximos jogos, é provável que a CBF refine tanto o critério visual quanto a velocidade das decisões. Até lá, o torcedor brasileiro vai convivendo com um sistema que promete precisão de elite, mas que ainda precisa de ajustes para entregar a mesma transparência que o torcedor viu na Copa do Mundo.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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