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Ibovespa recua 8,54% em dólar e só perde para a Argentina

Ibovespa recua 8,54% em dólar e só perde para a Argentina

Desvalorização do real castiga fundos de investimento e aplicações locais; confira o ranking dos mercados emergentes mais afetados.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, vive um começo de agosto para esquecer. Até o dia 17, o índice acumulava queda de 8,54% quando medido em dólares, o segundo pior desempenho entre 21 bolsas acompanhadas pela consultoria Elos Ayta. Perde no ranking apenas para a Argentina, que vive um cenário ainda mais turbulento.

Por que a queda em dólar importa mais do que em real?

A comparação em moeda americana é a forma mais justa de medir o que aconteceu com o dinheiro de quem investiu em ações brasileiras — especialmente para estrangeiros, mas também para brasileiros que pensam o patrimônio em dólares. Ela junta dois efeitos: a variação das ações em si e o comportamento do câmbio.

Olhando só em reais, o Ibovespa recua 6,30% no mês. Mas como o dólar subiu 2,44% frente ao real no mesmo período, a perda se amplia quando convertida, chegando aos 8,54% mencionados no levantamento.

Um Brasil entre os piores do mundo em agosto

O dado mais desconfortável é o lugar que o Brasil ocupa nesse ranking. Das 21 bolsas analisadas, só a Argentina teve desempenho pior — o índice Merval recuou 10,47% no mesmo recorte. Logo atrás do Ibovespa aparecem a FTSE China 50, com baixa de 2,55%, e o IPC do México, que recua 2,29%.

Em outras palavras: a distância entre o Brasil e a China, terceiro colocado, é maior do que a soma das quedas de boa parte dos demais mercados do levantamento. Isso coloca o mercado acionário brasileiro entre os grandes destaques negativos de agosto no mundo, num mês em que a maioria das bolsas opera no vermelho.

O que isso muda na prática?

Para quem tem dinheiro aplicado em ações ou em fundos atrelados ao Ibovespa, o saldo do mês é negativo — e em alguns casos, bastante negativo, dependendo do setor em que a carteira está concentrada. A queda em reais já seria ruim, mas a desvalorização do real frente ao dólar pesa duplamente: corroe o rendimento em moeda local e torna o país menos atrativo para o investidor estrangeiro, que precisa lidar com mais incerteza cambial para entrar aqui.

Para quem pensa em começar a investir na Bolsa agora, o momento traz um dilema clássico: aproveitar preços mais baixos ou esperar mais definição sobre o cenário. O que o dado deixa claro é que comprar ações brasileiras em agosto ficou, em dólar, mais barato do que no começo do mês — mas isso não é garantia de que vai voltar a subir no curto prazo.

Para quem acompanha o noticiário econômico, o número funciona como um sinal de alerta sobre a combinação de fatores que pressionam o mercado: juros, expectativas fiscais, incerteza política e o vaivém do câmbio formam um cenário hostil para a renda variável brasileira.

O cenário argentino como pano de fundo

Vale entender por que a comparação com a Argentina aparece tanto. O Merval vinha acumulando fortes altas no ano por causa de bets específicas do mercado local, e a reversão recente tem a ver com dúvidas sobre o plano econômico do governo de Javier Milei e pressão sobre o peso argentino. Mesmo assim, o fato de o Brasil estar ao lado da Argentina — e não ao lado de México ou China — no ranking de perdas em agosto é o tipo de manchete que nenhum gestor de fundo quer ver na sua tela.

Como ler esse tipo de levantamento

Levantamentos como o da Elos Ayta são recortes mensais úteis para perceber tendências, mas sempre carregam uma limitação: o mês ainda não acabou. Os dados vão até o dia 17 de agosto, e uma semana de comportamento mais favorável (ou pior) pode mudar o quadro final. Ainda assim, a distância entre o Ibovespa e o terceiro colocado é grande o suficiente para indicar que agosto de 2024 não está sendo um mês qualquer para a Bolsa brasileira.

Para o investidor comum, a lição prática é: esteja atento à exposição em dólar na carteira, revise se a concentração em ações brasileiras faz sentido no cenário atual e use momentos de queda para reavaliar, com calma, quais empresas realmente valem o preço descontado — e quais só estão caindo porque o mercado inteiro está.

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Jornalista

Carlos Ribeiro

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