Entenda por que grandes marcas estão abandonando o Brasil
Para economistas, há questões em comum nas evasões, mas, em geral, é preciso analisar as particularidades de cada caso
Depois de quase três décadas presente nas prateleiras dos supermercados brasileiros, a Häagen-Dazs deixou de ser vendida no país. A saída da marca de sorvetes premium aconteceu junto com a venda das operações da General Mills — dona da Häagen-Dazs — para o grupo 3corações, que ficou com as marcas Yoki e Kitano, mas optou por não incluir os sorvetes no pacote.
Esse tipo de movimentação não é isolado. Nos últimos anos, outras multinacionais também reduziram operações ou simplesmente saíram do mercado brasileiro. Mas, antes de cravar que o Brasil "espanta" grandes marcas, vale entender o que realmente está por trás dessas decisões — e por que nem toda saída significa crise.
O que isso importa? Porque quando uma marca global famosa deixa de operar em um país, o consumidor sente na prática: menos opções nas gôndolas, produtos importados que somem do radar e, em alguns casos, substituição por versões nacionais ou de outras marcas. É uma mudança que parece pequena, mas afeta desde a diversidade de escolha até a percepção sobre o ambiente de negócios no país.
O professor Gesner Oliveira, da USP e sócio da GO Associados, explica que multinacionais costumam sair quando a operação local deixa de gerar retorno suficiente sobre o capital investido. "Pode ser escala insuficiente, modelo de negócio inadequado, custos operacionais e tributários altos, mudanças competitivas ou apenas uma decisão global de realocar recursos", afirma. Em outras palavras, o Brasil é uma variável na equação — não necessariamente a única nem a principal.
No caso específico da Häagen-Dazs, a companhia não detalhou os motivos e falou apenas em "plano de reformulação de portfólio". Economistas avaliam que o crescimento do mercado de sorvetes premium no Brasil — com concorrentes locais fortes e preços mais competitivos — pode ter tornado a operação menos atrativa para a marca.
Para o consumidor final, o recado é claro: marcas que parecem "eternas" podem deixar o país de uma hora para outra, geralmente por decisões estratégicas que nada têm a ver com qualidade do produto. Já para quem acompanha o cenário econômico, o movimento reforça a importância de entender que cada saída tem suas particularidades — e que nem sempre é sintoma de algo maior.
O que isso muda na prática?
Na rotina, o efeito mais visível é a redução de opções. Quem gostava de comprar Häagen-Dazs no supermercado precisará buscar alternativas — sejam outras marcas premium ou opções nacionais que ganharam espaço. Também vale ficar atento a liquidações e estoques remanescentes, já que o encerramento de operações costuma gerar promoções pontuais antes da saída definitiva. Para acompanhar tendências do varejo, vale seguir perfis e portais que monitoram essas mudanças de mercado.
Resumo rápido: A saída da Häagen-Dazs do Brasil ilustra um padrão em que multinacionais encerram operações locais quando os custos e a concorrência tornam o negócio menos lucrativo — um movimento que afeta as opções do consumidor e reflete decisões globais de estratégia empresarial.
Continue acompanhando o Portal Top Ofertas Brasil
- Instagram: @top_ofertas_brasil_oficial
- Blog: Ver mais conteúdos




