O Google Assistente tem data marcada para deixar de existir: 4 de setembro. Depois de adiar esse encerramento em pelo menos uma ocasião nos últimos oito meses, a empresa finalmente cravou o dia em que o serviço será desativado de forma definitiva nos celulares. No lugar dele entra o Gemini, a inteligência artificial generativa que a gigante de Mountain View vem empurrando como substituta em praticamente todos os seus produtos.
Como vai funcionar a transição para o Gemini
A mudança não vai acontecer de uma vez. Segundo emails que o Google começou a enviar aos próprios usuários, a remoção do Assistente será feita de forma gradual, ao longo de várias semanas. A mensagem é direta: assim que a disponibilidade do serviço acabar no seu aparelho, não tem volta. Quem tinha o "Ok Google" configurado como atalho no celular, tablet ou em dispositivos pareados — como relógios, fones e carros — vai perceber a mudança sem precisar fazer praticamente nada.
Para que o Gemini assuma as funções de assistente, o aparelho precisa atender aos requisitos mínimos do sistema e estar em uma região onde a IA está disponível. Como o Gemini já opera em português e atende o mercado brasileiro, a expectativa é de que a troca também chegue por aqui nas próximas semanas, seguindo o mesmo cronograma global.
O que muda na prática para quem usa o celular todo dia
Na rotina, o impacto é imediato. O Gemini passa a ser o cérebro por trás de tudo o que antes era respondido pelo Google Assistente: pesquisas por voz, comandos rápidos, lembretes, alarmes, controle de casa inteligente e tarefas integradas ao sistema. Isso vale para celulares Android, relógios com Wear OS, fones de ouvido compatíveis e carros que rodam Android Auto.
Quem está acostumado a acordar o assistente com o clássico "Ok Google" pode respirar aliviado: o comando continua funcionando normalmente, agora acionando o Gemini. O mesmo vale para o botão de energia, gestos na tela e o novo "Ei, Gemini". A diferença não está em como você chama — está em quem responde.
Por que o Google está fazendo isso agora
O Google Assistente nasceu em 2016, como resposta direta à Siri da Apple, e chegou ao português em 2017. Foi, por quase uma década, a principal porta de entrada da empresa para interações por voz em português. Mas o cenário mudou. Com a chegada da inteligência artificial generativa, a companhia passou a concentrar seus esforços no Gemini, que consegue entender comandos mais complexos, manter conversas com contexto e até analisar imagens e documentos — coisas que o Assistente tradicional não fazia.
Manter dois sistemas rodando em paralelo ficou caro e confuso para o usuário. Apostar tudo no Gemini é também uma forma de unificar a experiência e brigar de frente com rivais como ChatGPT, Copilot da Microsoft e a própria Siri, que vem ganhando funções de IA generativa nos iPhones mais recentes.
Tem como voltar atrás?
Não. O próprio Google deixou isso claro no comunicado enviado aos usuários: não será possível reativar o Google Assistente depois que ele for removido do aparelho. Quem depende de algum recurso específico do antigo assistente — rotinas criadas, atalhos personalizados, comandos domésticos — vai precisar reconfigurar tudo dentro do Gemini, que tem uma estrutura de "rotinas" própria, mas não é idêntica à anterior.
Para quem está preocupado com privacidade ou com o comportamento da nova IA, vale explorar as configurações do Gemini logo nos primeiros dias de uso. É possível desativar o histórico de conversas, impedir que os dados sejam usados para treinar modelos futuros e ajustar quais apps o assistente tem permissão para acessar.
O que vale ficar de olho
A principal recomendação é não esperar o dia 4 de setembro para descobrir como o Gemini funciona. Quem nunca usou a IA do Google pode já ir testando o app antes da migração automática — ele está disponível na Play Store e no site oficial. Assim, quando a transição chegar, a adaptação tende a ser mais suave.
Também é bom lembrar que o Gemini gratuito já dá conta da maior parte das tarefas do dia a dia. Quem usa a versão paga, o Gemini Advanced, ganha acesso a modelos mais potentes, mas não é obrigado a assinar nada para manter as funções básicas de assistente no celular.
Resumindo: o Google Assistente se aposenta em setembro, o Gemini assume o trono, e o "Ok Google" continua na mesma — só que, desta vez, com um cérebro bem mais potente por trás.
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