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Enel corre risco de perder concessão no Brasil, diz Haddad

Enel corre risco de perder concessão no Brasil, diz Haddad

O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que a renovação depende de um compromisso real com investimentos

Durante o ABDIB Fórum Eleições 2026, em São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) fez um alerta direto sobre o futuro da Enel no país. Segundo ele, caso a empresa não apresente um compromisso "objetivo" — e não apenas "verbal" — com a ampliação de investimentos, o governo federal dificilmente renovará a concessão, válida há 30 anos.

O posicionamento é relevante porque mexe com uma das áreas mais sensíveis para o consumidor: o fornecimento de energia elétrica. A Enel atua em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Goiás, atendendo milhões de residências e empresas. Uma eventual perda de concessão abriria espaço para reestruturação do serviço — e, na teoria, para melhoria da qualidade.

Para quem usa energia elétrica no dia a dia, o tema tem impacto direto. Apagões, demora no restabelecimento após quedas e atendimento precário são queixas constantes de consumidores em regiões atendidas pela Enel. A fala de Haddad sugere que o governo federal está disposto a usar a renovação contratual como instrumento de pressão por mais investimento e melhor serviço.

Haddad também aproveitou para criticar a situação da Sabesp, comparando a um possível "Enel das Águas". Ele questionou como uma empresa que privatizou recentemente já apresenta problemas tão relevantes em pouco tempo — uma crítica indireta ao modelo de gestão atual da companhia de saneamento paulista.

Outro ponto levantado pelo ex-ministro foi a defesa da Reforma Tributária. Em resposta ao candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), que defende a suspensão da reforma, Haddad classificou a ideia como "deletéria para São Paulo". Na visão dele, a reforma acaba com a guerra fiscal entre estados — prática na qual governos oferecem benefícios fiscais para atrair empresas —, beneficiando justamente São Paulo, que perderia menos receita com o fim dessas disputas.

A fala reforça o embate político em torno das privatizações e concessões no Brasil. Para o consumidor, o sinal é claro: empresas que prestam serviços essenciais precisam entregar qualidade, caso contrário, o próprio contrato pode ser revisto. É um lembrete de que existe — ao menos no papel — um mecanismo de cobrança que pode proteger o cidadão de más prestadoras.

O que isso muda na prática?

Na prática, ainda não há decisão concreta sobre o futuro da Enel no Brasil. A declaração de Haddad é uma sinalização política, feita em ano eleitoral, e precisa ser acompanhada de fatos concretos — como um eventual posicionamento formal da ANEEL ou do Ministério de Minas e Energia. Para o consumidor, o mais importante é manter-se informado sobre o desempenho da concessionária que atende sua região, registrar reclamações nos canais oficiais (como a ANEEL e o Procon) e acompanhar audiências públicas sobre renovações contratuais, que costumam permitir participação social.

Resumo rápido: Haddad afirmou que a Enel pode perder a concessão se não ampliar investimentos de forma concreta, e ainda comparou a situação da Sabesp a um possível "Enel das Águas".

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