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Portugal terá eclipse solar total em 2026: o primeiro em 113 anos

Portugal terá eclipse solar total em 2026: o primeiro em 113 anos

No dia 12 de agosto, faixa de totalidade atravessará o norte do país e promete atrair milhares de turistas em busca do melhor ponto de observação.

No dia 12 de agosto de 2026, Portugal vai presenciar um eclipse solar total — algo que não acontecia em território continental português desde 1912. Enquanto quase todo o país verá o Sol quase totalmente coberto pela Lua, um pequeno canto do nordeste transmontano terá o privilégio de ver o dia se transformar em noite por cerca de 26 segundos. Se você acompanha astronomia ou simplesmente não quer perder um evento raro como esse, vale entender o que está em jogo.

Por que esse eclipse é tão especial?

Eclipses solares totais ocorrem com frequência no planeta, mas a faixa de totalidade — aquela estreita faixa geográfica de onde se vê o Sol completamente coberto — é minúscula em comparação com a área onde o eclipse é apenas parcial. Em média, o mesmo ponto da Terra só é atravessado por um eclipse total cerca de uma vez a cada 375 anos. Em Portugal continental, o último aconteceu há mais de um século, em 1912, o que dá uma ideia da raridade do fenómeno.

Para a maior parte do país, o eclipse será parcial, mas ainda assim impressionante: o Sol ficará quase totalmente encoberto pela Lua, e a luz do dia vai cair de forma perceptível durante alguns minutos. A sensação é descrita por quem já viu eclipses parciais profundos como um "crepúsculo estranho" — as sombras ficam mais nítidas, a temperatura cai e os animais reagem como se fosse anoitecer.

Onde ver a totalidade em Portugal?

A faixa de totalidade deste eclipse atravessa o extremo nordeste de Portugal, mais precisamente a zona do Parque Natural de Montesinho, perto de Bragança. Quem estiver ali vai ver o Sol desaparecer por completo atrás da Lua durante aproximadamente 26 segundos, com a coroa solar visível a olho nu — algo que, na prática, só acontece durante eclipses totais e é considerado um dos espectáculos mais impressionantes da natureza.

Esses 26 segundos são curtos, mas a preparação para aproveitar começa bem antes. A região de Bragança e Montesinho tem boa parte de céu escuro e pouca poluição luminosa, o que torna o cenário ideal. Ainda assim, como a totalidade dura pouco mais de meio minuto, saber exatamente onde estar e que horário cronometrar é fundamental para não perder o instante.

O que isso muda na prática?

Se você estiver em Portugal na data, não precisa ir necessariamente até Bragança para ter uma experiência marcante. Nas grandes cidades como Lisboa, Porto, Coimbra ou Faro, o eclipse será parcial profundo, com cobertura superior a 90% do disco solar — mais do que suficiente para perceber a mudança de luz e temperatura. Mas se o objetivo é viver a totalidade e ver a coroa do Sol, aí a única opção no território português é mesmo a faixa de Montesinho.

Alguns pontos práticos que valem para qualquer eclipse solar:

  • Óculos de eclipse ou filtros solares certificados são indispensáveis para olhar diretamente para o Sol em qualquer fase parcial. Óculos de sol comuns não oferecem proteção suficiente e podem queimar a retina em segundos.
  • Durante a breve totalidade (apenas na faixa de Bragança), é seguro olhar a olho nu, mas em qualquer outro momento a proteção continua sendo obrigatória.
  • Vale testar o local com antecedência: saber onde o Sol estará no momento do eclipse ajuda a evitar edifícios, árvores ou montanhas que bloqueiem a visão.
  • Quem tem câmaras ou telescópios precisa usar filtros solares próprios para equipamento — nunca apontar lentes sem proteção para o Sol.

Um evento que movimenta turismo e ciência

Eclipses totais costumam atrair astrónomos profissionais, caçadores de eclipses internacionais e turistas curiosos. Regiões dentro da faixa de totalidade frequentemente registam picos de procura por alojamento com meses de antecedência. A zona de Montesinho, que já recebe visitantes pelo seu céu escuro, tende a ser procurada por quem quer combinar o fenómeno com turismo de natureza.

Para além do espectáculo visual, eclipses solares continuam a ser oportunidades científicas relevantes: permitem estudar a coroa solar (que normalmente é ofuscada pelo brilho do Sol), medir com precisão distâncias entre Terra e Lua, e observar o comportamento da atmosfera terrestre durante o escurecimento súbito.

Mais de cem anos separam este eclipse do último visível em Portugal continental. Quem tiver a possibilidade de estar no país em agosto de 2026 vai presenciar algo que, para muitos, é mesmo uma experiência de vida — ainda que dure apenas 26 segundos na zona de totalidade. O resto do país também terá um eclipse memorável, desde que, claro, o céu esteja limpo. O verão português costuma colaborar, mas como qualquer fenómeno ao ar livre, vale ter um plano B e acompanhar a previsão meteorológica nos dias que antecedem o evento.

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Jornalista

André Santos

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