Messi sempre foi visto como “mais espanhol do que argentino” por ter saído cedo de casa para jogar no Barcelona. Só que, na final da Copa do Mundo deste domingo (19), às 16h (horário de Brasília), quem parece carregar ainda mais esse vínculo com a Espanha é o técnico Lionel Scaloni — que vive no país há quase duas décadas e construiu família e carreira por lá.
O “choque” de identidades que acontece fora do campo
Enquanto Lionel Messi seguiu trajetórias por Catalunha, Paris e, mais recentemente, a Flórida (onde defende o Inter Miami), Scaloni permaneceu praticamente enraizado na Espanha. O treinador não apenas trabalhou por lá como também formou sua vida pessoal no país.
Scaloni é casado com a espanhola Elisa Montero. Ele e a esposa tiveram dois filhos, Ian e Noah, que cresceram no ambiente espanhol. De acordo com o relato citado, o técnico também tem parentes na ilha de Maiorca (na região da Serra de Tramuntana), que ficarão com o coração dividido no dia da final.
O ponto central é que essa escolha de vida não é só “geográfica”. Ela mexe com as emoções e com a forma como alguém se sente quando enfrenta (ou é enfrentado por) um adversário do país que acolheu sua rotina e sua família.
Como Scaloni chegou à Espanha e por que isso pesa agora
O vínculo de Scaloni com a Espanha começa ainda como jogador. Ele atuou no Deportivo La Coruña entre 1998 e 2006 e conquistou títulos no período, incluindo um caneco espanhol (1999-2000), uma Copa do Rei (2001-2002) e duas Supercopas (2000 e 2002). Na Galícia, dividiu o vestiário com nomes brasileiros como Mauro Silva e Djalminha.
Depois, ainda como jogador, passou por Racing Santander e Mallorca. Ou seja: não foi um período curto e distante. Foi uma trajetória longa, com raízes esportivas e, depois, continuidade no trabalho e na vida pessoal.
Treinador na Argentina, mas com hábitos e formação espanhóis
Mesmo à frente da Argentina — seleção atual campeã do mundo, buscando o tetracampeonato — Scaloni mantém hábitos e referências do país onde vive. Ele aproveita a tranquilidade da Espanha para criar os filhos e para praticar ciclismo, usando o tempo livre para diminuir a pressão de comandar uma das seleções mais observadas do planeta.
Além disso, antes do desafio deste domingo, o técnico também fez um curso para a formação de treinadores ainda na Espanha. Nesse contexto, ele foi aluno de Luis De La Fuente, que hoje comanda a equipe adversária na final — a Espanha. O detalhe reforça que o “lado espanhol” de Scaloni não é apenas família: existe também uma conexão profissional construída ao longo do caminho.
O que Scaloni disse sobre o dilema emocional
Em declarações citadas na referência, Scaloni descreveu a situação como difícil e delicada. Ele afirmou que sua esposa e seus filhos estão com a Argentina, enquanto Elisa e os filhos entendem as pressões que ele enfrenta. Também ressaltou que há parentes em Maiorca, o que torna o momento ainda mais sensível: é como se o coração se dividisse entre o lado afetivo (família e rede) e o lado profissional (o compromisso com a seleção).
Apesar disso, a mensagem principal é clara: o foco é vencer. Ele declarou entender o impacto para os espanhóis, mas também afirmou que, aconteça o que acontecer, o técnico acredita que os dois lados terão motivos para se sentir “contentes”.
O que isso significa para quem assiste ao jogo
Para o torcedor, esse tipo de contexto muda a forma de olhar a final. Não se trata apenas de comparar elencos, táticas e desempenho. Há também um fator humano, que costuma passar despercebido: pessoas que constroem a própria vida em um lugar e, mesmo assim, carregam a identidade esportiva de origem.
Na prática, isso ajuda a entender por que certos discursos dos treinadores parecem carregados de peso emocional — e por que a narrativa de “traição” ao país acolhedor aparece com força. Não é que Scaloni tenha negado a Argentina ou a Espanha. Pelo contrário: ele tenta equilibrar o que sente, o que vive e o que precisa fazer como líder de uma seleção.
Na arquibancada (ou na frente da TV), esse tipo de história pode aumentar a atenção em detalhes como atitude do time, postura sob pressão e leitura do jogo. Em finais, pequenas diferenças de energia e de estratégia podem virar o resultado. E, quando o treinador fala de dilema com sinceridade, é natural que o público perceba uma tensão extra — mesmo sem ela aparecer em números.
No fim, a final deste domingo coloca frente a frente duas formas de pertencimento. De um lado, a Argentina de Scaloni, com a busca por mais um título. Do outro, a Espanha que, além de adversária no gramado, está ligada à casa, à família e à formação de longa data do técnico. O jogo é o teste final dessa mistura — e, para quem acompanha, é um lembrete de que futebol não acontece só no campo.
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