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Coritiba e Palmeiras fazem história com duas mulheres no comando

Coritiba e Palmeiras fazem história com duas mulheres no comando

Arbitragem 100% feminina pela primeira vez em clássico nacional abre nova era no futebol

O jogo entre Coritiba e Palmeiras, marcado para esta quarta-feira (22), às 19h30 (de Brasília), no Couto Pereira, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro, vai entrar para a história do futebol brasileiro por um motivo que vai muito além do placar. Pela primeira vez na elite nacional, dois clubes dirigidos por mulheres se enfrentam em campo. Marianna Libano, presidente da Associação do Coritiba, e Leila Pereira, presidente do Palmeiras, serão as protagonistas de um marco simbólico na gestão esportiva do país.

Quem são as mulheres por trás desse marco

Marianna Libano assumiu a presidência da Associação do Coritiba em dezembro de 2024, para o triênio 2025/2027, e se tornou a primeira mulher a ocupar o principal cargo executivo do lado associativo do clube paranaense. Está no segundo ano como presidente eleita e comanda um processo de reorganização institucional que envolve a relação entre a Associação e a SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Coxa.

Do outro lado, Leila Pereira está à frente do Palmeiras desde o final de 2021. Também foi a primeira mulher a presidir o clube em mais de um século de existência, e foi reeleita para um segundo mandato. Sua gestão acumula títulos como Campeonato Brasileiro, Campeonato Paulista, Supercopa do Brasil e Recopa Sul-Americana, além de manter o Alviverde entre os protagonistas da Libertadores.

Contexto diferentes, mesmo protagonismo

As duas gestões não poderiam ser mais distintas em estágio, mas se encontram na representatividade. O Palmeiras vive uma fase de consolidação entre os maiores clubes do continente, com estrutura robusta e títulos internacionais recentes. Já o Coritiba passa por um processo de reorganização institucional que envolve a relação entre a Associação — que detém 10% da SAF — e a TreeCorp Investimentos, responsável pela fatia majoritária de 90%.

Esse cenário de transição é justamente o que Marianna encontrou ao assumir o comando associativo. A missão dela é diferente da de Leila: enquanto a presidente alviverde administra um clube em plena ascensão competitiva, a dirigente coxa trabalha para reorganizar as bases de uma instituição que passou por mudanças profundas em sua estrutura administrativa.

O que isso muda na prática?

Para o torcedor comum, uma partida de futebol segue tendo o mesmo peso emocional: três pontos em disputa, tabela do Brasileirão, briga por objetivos na temporada. O que muda é o que esse jogo representa fora das quatro linhas. A presença simultânea de duas presidentas mulheres em uma partida da primeira divisão do futebol brasileiro não é apenas simbólico — é um indicador de transformação concreta nos cargos de poder dos clubes.

Gestão esportiva no Brasil sempre foi território predominantemente masculino. Presidências, conselhos deliberativos e cadeiras executivas raramente foram ocupadas por mulheres. Quando isso acontece, costuma ser em clubes de menor expressão ou em funções secundárias. Ver duas mulheres à frente de dois clubes da Série A, em estádios diferentes, trocando cumprimentos antes do apito inicial, é algo que até poucos anos atrás parecia distante.

Para quem acompanha futebol com atenção à política esportiva, essa é uma data para registrar. Para quem estuda gestão do esporte, é material de análise. Para mulheres que sonham em ocupar cargos de liderança no futebol, é uma referência concreta de que o caminho, mesmo lento, está sendo aberto.

Por que esse jogo importa além do resultado

O resultado dos três pontos vai mexer na tabela — o Palmeiras disputa a parte de cima, enquanto o Coritiba tenta se afastar da zona de desconforto. Mas o significado maior da partida está no que ela comunica sobre o futebol brasileiro: que os principais cargos de gestão estão, ainda que timidamente, se abrindo para profissionais que até pouco tempo atrás eram exceção.

Marianna Libano e Leila Pereira não chegaram aos respectivos clubes por cotas ou políticas de representatividade. Cada uma venceu eleições internas, disputou mandatos, apresentou projetos e foi escolhida pelos mecanismos regulares das instituições. Isso é o que torna o momento histórico: não é uma ação isolada, é uma coincidência de processos que aconteceram em paralelo em dois clubes diferentes do país.

A partida no Couto Pereira será a primeira, mas dificilmente será a última. Uma vez que o precedente é estabelecido, o mais provável é que outros jogos da elite nacional passem a contar com gestões femininas em ambos os lados. Por isso, vale acompanhar, lembrar e registrar a data: 22 de outubro, 19h30, um jogo que vai entrar para a história do futebol brasileiro por motivos que nenhum placar será capaz de medir.

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Jornalista

André Santos

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