O Corinthians anunciou no dia 11 que não vai renovar o contrato de Memphis Depay, encerrado em 31 de julho. O clube atribuiu a decisão à necessidade de preservar a saúde financeira — mas, segundo estimativa do próprio Corinthians, a dívida com o atacante pode chegar a R$ 77 milhões se forem considerados juros e encargos contratuais, e não apenas o valor principal.
Como R$ 42 milhões viraram quase R$ 77 milhões
Para entender o tamanho do problema, é preciso separar dois números. O primeiro é o chamado valor principal, de cerca de R$ 42 milhões, que reúne salários atrasados, bônus e premiações previstas no vínculo firmado em setembro de 2024. É o quanto o Corinthians efetivamente reconhece dever ao jogador, sem multiplicadores.
Em cima desse principal, porém, incidem juros, correção monetária e outros encargos previstos em contrato. Quando esses itens entram no cálculo, o número salta para aproximadamente R$ 77 milhões. Importante reforçar: trata-se de uma estimativa do clube, e não de uma condenação judicial. O valor pode oscilar bastante conforme o acerto — à vista, parcelado, na Justiça ou em câmara de arbitragem.
Por que esse caso ganhou repercussão? Porque virou exemplo de como contratos milionários e de curto prazo podem se transformar em pesadelo contábil quando a renovação não acontece. Clubes que apostam alto em um único jogador assumem um risco proporcional: quando a relação termina, a conta final costuma ser maior do que o previsto no orçamento.
O que isso muda na prática?
Na prática, o Corinthians fica com um passivo relevante logo após perder o camisa 10. Mesmo que opte por parcelar os R$ 42 milhões do valor principal, o caixa do futebol segue pressionado, e qualquer contestação judicial pode empurrar a conta para o teto de R$ 77 milhões — o pior cenário previsto pelo departamento financeiro.
Antes da decisão final, segundo UOL e Folha de S.Paulo, Corinthians e Memphis negociaram uma renovação por mais dois anos. O atacante teria assinado uma proposta para receber o valor principal em parcelas e abrir mão dos encargos em troca do novo vínculo. O acordo passou pelas áreas financeira, jurídica e de marketing, mas travou na mesa do presidente Osmar Stabile, que preferiu não concluir a negociação. Resultado: sem renovação, a possibilidade de zerar juros e multas deixou de existir.
Para o torcedor, o impacto não aparece como cobrança direta, mas em decisões de bastidor. Clubes endividados costumam apertar o cinturão em reforços, restringir contratações e acelerar a saída de atletas com mercado na Europa. Esse movimento enfraquece o elenco, derruba o rendimento dentro de campo e desvaloriza o patrimônio esportivo — efeito que se acumula ao longo das temporadas, não de um jogo para o outro.
Memphis deixa o Corinthians após 79 partidas e 20 gols, com participação direta nas conquistas do Campeonato Paulista, da Copa do Brasil de 2025 e da Supercopa Rei de 2026. Em números esportivos, a passagem foi positiva. No campo financeiro, porém, o preço final ainda está em aberto — e pode custar muito mais do que o planejamento inicial previa. Por enquanto, a dívida segue sem data definida para ser quitada, e o próximo capítulo deve acontecer nos próximos meses, quando o clube apresentar a forma de pagamento ou Memphis formalizar a cobrança por vias legais.
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