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Copom deve cortar Selic para 14%; mercado mira 13,75%

Copom deve cortar Selic para 14%; mercado mira 13,75%

Juro menor barateia crédito e financiamentos, mas pesa no bolso de quem investe em renda fixa

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central começou nesta terça-feira, 4, sua quinta reunião de 2026, e o mercado financeiro já entra com uma aposta quase consolidada: mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que passaria de 14,25% para 14% ao ano. A decisão oficial sai na quarta-feira, 5, depois do fechamento do mercado.

Por que o corte já é considerado "quase certo"?

O movimento não acontece no vácuo. Desde a última reunião, em junho, a inflação brasileira deu sinais claros de desaceleração. O IPCA, índice oficial de preços, saiu de 0,58% em maio para 0,16% em junho. Já o IPCA-15, que funciona como prévia do índice cheio, registrou apenas 0,06% na medição de julho — contra 0,41% no período anterior.

O alívio veio principalmente dos preços de alimentos e combustíveis, dois itens que pesam diretamente no orçamento das famílias. Quando esses dois grupos cedem ao mesmo tempo, o alívio no bolso aparece rápido: na conta do mercado, no supermercado e no posto de gasolina.

O que o mercado está projetando agora?

As projeções do Boletim Focus, divulgado pelo próprio Banco Central, confirmam o cenário de arrefecimento. O IPCA deve fechar 2026 em 5,03%, abaixo dos 5,12% previstos na semana anterior — é a quinta revisão consecutiva para baixo. Para o fim do ano, os investidores passaram a apostar em uma Selic terminal de 13,75%, movimento que não acontecia desde março.

Na prática, isso significa que o mercado financeiro está começando a acreditar em um ciclo de cortes mais suave e duradouro, e não em um alívio pontual seguido de pressão altista nos juros.

A leitura de quem está do lado do investidor

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, avalia que o dado mais relevante não é só a queda do IPCA, mas a confirmação de que o mercado passou a enxergar um ambiente em que a inflação desacelera sem precisar de juros nas alturas por tanto tempo. "Quando a expectativa de inflação cai e a expectativa de juros acompanha esse movimento, o custo do dinheiro começa a mudar antes mesmo da decisão do Banco Central", afirmou.

A frase resume bem o efeito prático: quando o mercado antecipa queda de juros, o crédito começa a ficar mais barato gradualmente — mesmo antes do anúncio oficial do Copom.

Outros fatores que pesam a favor do corte

Economistas ouvidos pelo mercado também destacam três pontos que reforçam a leitura dovish (favorável a juros mais baixos):

  • Núcleos de inflação comportados, que剔除 os itens mais voláteis (como alimentos e energia) e mostram tendência mais controlada dos preços;
  • Moderação da atividade econômica, com crescimento em ritmo mais fraco do que o esperado no início do ano;
  • Mercado de trabalho mais arrefecido, sem pressão generalizada de salários.

Juntos, esses fatores tiram pressão sobre o Banco Central para manter a Selic nos níveis atuais.

E o que pode atrapalhar o ciclo de cortes?

Apesar do cenário interno favorável, duas nuvens continuam no horizonte. A primeira é externa: o conflito no Oriente Médio segue elevando o preço do petróleo e pode contaminar a inflação de importados. A segunda é doméstica: o quadro fiscal, com dúvidas sobre o cumprimento da meta de resultado primário, ainda gera desconfiança entre investidores e pode limitar o espaço do Banco Central para afrouxar a política monetária de forma mais agressiva.

Por isso, o comunicado do Copom após a decisão será tão importante quanto o corte em si. O texto vai indicar o ritmo dos próximos passos — se o comitê pretende fazer pausas, acelerar ou manter o mesmo passo de 0,25 ponto.

O que isso muda na prática?

Para quem tem financiamento imobiliário, empréstimo pessoal ou cheque especial, uma Selic menor começa a aparecer como redução nas taxas oferecidas pelos bancos, ainda que de forma gradual. Para quem investe em renda fixa, especialmente em títulos pós-fixados atrelados ao CDI ou à própria Selic, a remuneração tende a cair nas próximas emissões.

Já para quem aplica em renda variável, a leitura costuma ser positiva no curto prazo: juros mais baixos tendem a impulsionar ativos de risco, como ações e fundos imobiliários, porque o dinheiro deixa de competir tão fortemente com a renda fixa.

Por fim, vale lembrar que o Copom se reúne a cada 45 dias e que cada decisão tem dois momentos: no primeiro dia, técnicos apresentam cenários sobre a economia brasileira e mundial; no segundo, os integrantes do comitê definem o novo nível da Selic. A expectativa agora é que o comunicado de quarta-feira confirme o corte e dê pistas sobre o ritmo dos próximos encontros.

O recado para o leitor é simples: mesmo que o corte de 0,25 ponto já esteja precificado pelo mercado, o tom do comunicado pode mexer mais nos investimentos e nas expectativas do que o número em si. Ficar atento à fala do Banco Central, neste momento, vale tanto quanto olhar para a taxa anunciada.

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Jornalista

Renata Oliveira

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