Conheça os dois robôs que chegam por aqui
O rosto mais visível dessa chegada será a Mornine, um robô humanoide pensado para uso em concessionárias das marcas Omoda e Jaecoo, que também fazem parte do grupo Chery. A ideia, segundo a própria empresa, é que ela funcione como uma espécie de atendente inteligente: apresenta tecnologias dos veículos, responde perguntas sobre os modelos disponíveis e conversa com visitantes em múltiplos idiomas. Por trás do comportamento está uma combinação de Large Language Models (LLMs) embutidos, sensores, microfones e um sistema LiDAR 3D, responsável pela percepção espacial do ambiente.
O outro produto é o Argos, um cão-robô que, ao contrário da Mornine, será comercializado diretamente ao consumidor final. A proposta é entregar um equipamento com aparência e movimentos inspirados em um pet, mas com capacidade de interpretar comandos, reconhecer obstáculos e interagir com pessoas. Os detalhes de preço e ponto de venda ainda não foram divulgados.
O que isso muda na prática?
Para quem visita uma concessionária Omoda ou Jaecoo a partir do quarto trimestre, a experiência tende a mudar antes mesmo do test-drive. Em vez de pegar um catálogo ou esperar um vendedor disponível, o visitante poderá ser recebido por um robô capaz de explicar diferenciais técnicos, comparar versões e tirar dúvidas básicas sobre o carro. Isso não significa que vendedores humanos serão substituídos — pelo menos não no curto prazo —, mas a tendência é que funções repetitivas e informativas migrem para a máquina, liberando o time humano para negociação e fechamento.
Para o consumidor brasileiro em geral, o movimento importa porque coloca o país no radar de uma indústria que cresce em ritmo acelerado. Dados do início de 2025 mostram que as vendas de robôs humanoides na China saltaram 480% em relação ao ano anterior, consolidando o país asiático como o principal polo mundial desse segmento. Ao trazer a Mornine e o Argos para cá, a Chery testa um modelo de distribuição que pode ser copiado por outras montadoras interessadas em usar robótica como diferencial de marca.
Há, porém, um ponto de cautela. O próprio governo chinês tem demonstrado preocupação com a formação de uma bolha no setor, já que diversas empresas anunciam produtoshumanoides com promessas que, na prática, ainda não foram totalmente entregues. No Brasil, os dois robôs passarão ainda por um processo de homologação na Anatel antes de qualquer comercialização, o que funciona como um filtro regulatório importante para o consumidor.
Por que o setor automotivo é o campo de testes
Não é por acaso que os primeiros humanoides "civilizados" — isto é, fora de fábricas e laboratórios — estejam estreando em concessionárias. O ambiente automotivo combina três fatores que favorecem a robótica de serviço: há público circulante o tempo todo, as perguntas dos clientes são repetitivas e o investimento em experiência de marca costuma ser alto. Robôs como a Mornine se encaixam bem nesse cenário porque reduzem custo de atendimento, funcionam como ferramenta de marketing e ainda rendem imagens que viralizam nas redes sociais.
O cão-robô Argos, por sua vez, mira um público diferente. Ele se junta a uma categoria que já conta com produtos como o Spot, da Boston Dynamics, e modelos mais acessíveis vindos da China. A diferença aqui é a promessa de integração com LLMs, o que permite uma interação mais natural em linguagem do dia a dia — ainda que o desempenho real dessa conversa só possa ser avaliado quando o produto chegar às lojas.
Quando e como acompanhar
A previsão é de que os primeiros robôs estejam em funcionamento entre outubro e dezembro deste ano. Como ainda não há data exata, preço confirmado nem lista de concessionárias participantes, o mais indicado é acompanhar os canais oficiais da Chery, Omoda e Jaecoo para saber em qual cidade e em qual modelo de loja a Mornine aparecerá primeiro. Quem tiver curiosidade sobre o Argos deve esperar o anúncio formal de venda, previsto para ocorrer após a conclusão da homologação na Anatel.
Uma coisa é certa: o varejo brasileiro está prestes a ganhar uma camada de automação que, até outro dia, parecia restrita a filmes de ficção científica. E, diferentemente de um chatbot no celular ou de uma assistente por voz, a experiência envolve um corpo físico caminhando, gesticulando e respondendo ao vivo — o que torna o teste muito mais imediato (e, para muita gente, bem mais divertido).
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