Notícias · Análises · Atualidades
Concessionárias da Chery ganham robô humanoide como atendente

Concessionárias da Chery ganham robô humanoide como atendente

Aposta em automação visa reduzir filas e tornar a experiência de compra mais ágil e interativa.

>A Mornine, robô humanoide desenvolvida pela AiMoga Robotics — divisão de robótica do Grupo Chery — vai começar a circular em concessionárias brasileiras ainda neste ano. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (05/08), com previsão de início das operações no quarto trimestre. Junto dela, chega também o cão-robô Argos, que será vendido diretamente ao consumidor.

Quem está por trás do projeto

A AiMoga não é uma startup qualquer. Ela faz parte do Grupo Chery, mesmo controlador das marcas de veículos Omoda e Jaecoo, que já operam no mercado brasileiro. Segundo a empresa, a AiMoga já está presente em mais de 60 países e entregou mais de 2 mil unidades dos seus robôs ao redor do mundo — o que dá uma ideia de que não se trata de um protótipo de feira, mas de um produto com alguma tração comercial.

A chegada ao Brasil marca a entrada formal da divisão de robótica em um dos maiores mercados automotivos da América Latina. A estratégia parece clara: usar as concessionárias da Chery como vitrine para a Mornine, enquanto o Argos mira o consumidor que quer um robô de companhia ou utilidade doméstica.

O que a Mornine faz na prática

A Mornine é descrita como uma robô humanoide conectada a plataformas em nuvem, equipada com microfones, sensores e LiDAR 3D — tecnologia a laser usada para mapear o ambiente em três dimensões, a mesma base que equipa carros autônomos. Com isso, ela consegue perceber o espaço ao redor, reconhecer pessoas e responder a comandos de voz em vários idiomas.

No contexto das concessionárias Omoda e Jaecoo, a função prática é direta: receber visitantes, apresentar as tecnologias dos veículos e tirar dúvidas sobre os modelos disponíveis. Em vez de folhetos ou vídeos em telão, o cliente fala com um robô que consegue conversar de forma contextualizada, graças a modelos de linguagem (LLMs) embutidos no sistema.

Isso muda a experiência de quem entra numa concessionária. Em vez de esperar um vendedor disponível, o visitante tem atendimento imediato para informações básicas — ficha técnica, comparativos, versões — enquanto o time humano foca em casos que realmente exigem negociação ou test-drive.

O Argos, o cão-robô que vai chegar às lojas

Enquanto a Mornine fica restrita ao ambiente corporativo das concessionárias, o Argos será vendido ao consumidor final. O porte de "cão-robô" indica um equipamento menor, voltado para uso doméstico ou comercial leve — patrulha de galpões, interação com crianças, presença de marca em eventos, entre outras aplicações.

A empresa não detalhou preço nem data exata de venda, mas confirmou que os dois equipamentos já estão em processo de homologação na Anatel — etapa obrigatória para qualquer dispositivo de comunicação que opere com radiofrequência no Brasil. Isso indica que a empresa pretende ligar os robôs a redes móveis ou Wi-Fi com plena conformidade regulatória.

O que isso muda na prática?

Para quem visita uma concessionária Omoda ou Jaecoo a partir do quarto trimestre, a diferença é concreta: vai encontrar um robô humanoide na recepção. A experiência tende a ser curiosa no início e, com o tempo, parte natural do atendimento — como já acontece em bancos, hotéis e hospitais de países asiáticos.

Para quem pensa em comprar um robô de companhia ou serviço, a chegada do Argos amplia as opções disponíveis no Brasil, hoje dominadas por produtos importados com suporte precário em português. Como o robô tem LLMs embutidos e suporte multilíngue, há expectativa de que a interação em português brasileiro funcione de forma mais natural do que em modelos genéricos.

Vale destacar o cenário global por trás desse movimento. A China domina o setor de robôs humanoides, e as vendas no país saltaram cerca de 480% no início deste ano, segundo dados citados pela empresa. Ao mesmo tempo, o governo chinês já demonstra preocupação com a formação de uma bolha no setor — ou seja, há volume de lançamentos, mas nem todo produto sobrevive fora de ambientes controlados. Trazer um robô desses para concessionárias reais é um teste importante de utilidade.

Por que isso importa agora

O CEO da Chery no Brasil, Hu Peng, resumiu a aposta em nota oficial: “a inteligência artificial e a robótica são pilares fundamentais” dos planos globais da empresa. Mais do que marketing, a fala indica que o grupo quer usar o Brasil como mercado estratégico para expandir essa frente de negócio na América Latina.

Para o consumidor brasileiro, o recado prático é simples: robôs humanoides em espaços comerciais deixaram de ser cenário de ficção ou vídeo viral e estão a poucos meses de virar parte do cotidiano de quem visitar uma concessionária. Quem se interessar pelo Argos deve acompanhar os canais oficiais das marcas Chery, Omoda e Jaecoo para saber preço, pontos de venda e condições de garantia assim que a homologação na Anatel for concluída.

Continue acompanhando o Portal Brasil News

O que achou deste post?

Jornalista

Renata Oliveira