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A campanha instável que pode acabar com o Novo

A campanha instável que pode acabar com o Novo

Outsider vitorioso em 2018 e reeleito governador de Minas Gerais em 2022, o candidato enfrenta dificuldades em série na corrida presidencial

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do partido Novo, começou a corrida pela Presidência da República de um jeito que pouca gente esperava: quase sozinho. Feiras livres, ruas comerciais e até uma escadaria de igreja viraram palco da campanha, mas as imagens que ficaram foram as do isolamento — sem aliados próximos e com pouca atenção do eleitorado. Soma-se a isso uma decisão polêmica: ele faltou ao primeiro debate em TV aberta, justamente quando rivais do mesmo campo político aproveitavam o espaço para crescer.

Esse cenário importa porque vai muito além de um candidato isolado. O desempenho de Zema afeta diretamente o futuro do Novo como legenda inteira. Se o partido não conseguir eleger um número mínimo de deputados em outubro de 2026, perde o direito a tempo de propaganda no horário eleitoral gratuito e seus candidatos não precisam mais ser convidados para debates. Ou seja, uma campanha presidencial fraca pode significar o desaparecimento institucional da sigla que foi surpresa em 2018.

No dia a dia do eleitor, o que está em jogo é a representatividade. Partidos pequenos que somem do cenário eleitoral deixam o jogo ainda mais concentrado nas grandes legendas, reduzindo a diversidade de ideias no Congresso. Para quem defende políticas de centro ou de direita liberal, como privatizações e reformas estruturais, o enfraquecimento do Novo significa menos espaço para essas pautas no debate público.

Para entender a gravidade, vale lembrar o passado recente. Em 2018, o Novo elegeu oito deputados federais e virou símbolo de renovação. Em 2022, caiu para três e não superou a cláusula de barreira — mecanismo que exige um percentual mínimo de votos para que um partido tenha acesso a recursos do Fundo Partidário e tempo de TV. Agora, com Zema patinando nas pesquisas — apenas 3% das intenções de voto segundo o Datafolha, empatado na margem de erro com candidatos quase desconhecidos —, o risco é o partido repetir ou piorar esse resultado, ficando cada vez mais perto de ser engolido pela máquina partidária tradicional.

Os números também mostram que a estratégia adotada até aqui não funcionou. Primeiro, Zema partiu para o embate com o STF e ministros como Gilmar Mendes. Depois mirou em Flávio Bolsonaro após o vazamento de um áudio polêmico envolvendo financiamento de filmes. Mas as críticas não trouxeram novos eleitores nem aliados, apenas desgastes internos. Até o fundador do partido, João Amoêdo, já rompeu com a legenda e afirma que "não aparecer é a melhor coisa que pode acontecer ao Novo". A partir de agora, a ordem é focar no antipetismo e parar de atacar adversários da direita — uma espécie de rendição tática diante do cenário adverso.

O que isso muda na prática?

Se você acompanha política, precisa entender que o cenário de 2026 pode ser ainda mais dominado por partidos grandes como PT, PL, PSD eMDB. Isso significa menos diversidade no Congresso, concentração de poder nas legendas tradicionais e menos vozes defendendo pautas como redução de gastos públicos, privatizações e reformas administrativas. Para o cidadão comum, o impacto é indireto, mas real: menos pluralidade política costuma significar menos renovação e mais perpetuação de práticas já conhecidas. Vale acompanhar de perto o desempenho do Novo nos próximos meses — o que acontecer com Zema pode ser um termômetro do futuro da política de centro-direita no Brasil.

Resumo rápido: A campanha solitária e errática de Romeu Zema, somada à ausência em debates estratégicos e à baixa nas intenções de voto, coloca em risco a sobrevivência do partido Novo, que já enfrentava dificuldades após não superar a cláusula de barreira em 2022.

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